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Não se pode agradar a gregos e a troianos


Segundo os gregos:

Espaço Público e Espaço Verde - Horta Popular da Mouraria

A Horta Popular da Mouraria era um terreno baldio que está a ser usada por vários populares para usufruto próprio e por uma associação para fins pedagógicos e recreativos. Para o desenvolvimento deste projecto e para evitar que seja alvo de vandalismo propõe-se que seja facultado o acesso a água para rega, que sejam criadas cercas. Será igualmente de valor a instalação de uma mobiliário adaptado ao espaço verde-público que existe, exemplo, mesas, bancos, baloiços...

2010-06-28

Nº de registo: 785

De acordo com os troianos:
Espaço Público e Espaço Verde - Requalificação do Espaço "Horta Popular da Mouraria" (AP8)

Esta "horta" é um atentado, além de perigosa, porque lá se juntam toxicodependentes e outros marginais. É um local absolutamente desleixado, num sítio visitado pelos turistas, que chegam a tirar fotografias. O Sr. Vereador Sá Fernandes já tomou conhecimento do caso.

2010-06-24

Número de registo: 778


Eu penso que conheço esta senhora troiana.... pois foi, foi a mesma que apresentou uma outra proposta para o local da horta:


Infra-estruturas Viárias, Trânsito e Mobilidade

Parque de Estacionamento na Calçada do Monte (AP8)

Urge para a freguesia, construir um parque de estacionamento que há tempo se encontrava previsto para a Calçada do Monte. Foi sugerido um silo com esplanada no piso superior.

2010-06-24

Número de registo: 776


Para quem não conhece, aqui fica um cheirinho da horta e seus "toxico(in)dependentes":

http://horta-popular.blogspot.com/

http://gaia.org.pt/node/14849

http://www.facebook.com/group.php?gid=67515896780

Quanto a propostas para a Graça, aqui ficam algumas alternativas ao estacionamento, com ou sem café, em cima das couves: http://cidadanialx.tripod.com/convgraca.html


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“Primal Health”, Michel Odent - Janelas para o futuro

Tradução livre (e descontraída com os bebés ao colo :)) do capitulo 11 da obra “Primal Health”de , Michel Odent. Realizada por de Bruno Venturini,Cátia Maciel e Marta Borges Pires (os sublinhados são meus)

Janelas para o futuro

A nossa crítica à família nuclear e a instituições como a obstetrícia e a neonatologia trazem à memória de muitos a famosa ilha Utopia. A saúde tem um lugar em Utopia. A saúde é uma luta, um esforço constante e interminável em direcção à adaptação perfeita. Para ser realista, primeiro precisamos de admitir que a nossa sociedade tecnológica não pode sobreviver sem sofrer uma enorme mutação. Contudo, nós precisamos do conceito de Utopia; nós precisamos de objectivos pelos quais almejar. É óbvio que é preciso tempo para modificar as estruturas familiares e também é óbvio que uma rede de parteiras autênticas não pode ser organizada do dia para a noite.

Quando todo um estilo de vida é desafiado, desde o nascimento até à morte, é preciso tempo. Não podemos dissociar as possíveis formas de redescobrir a família alargada da forma como as pessoas nascem e morrem. A não ser que uma larga percentagem da população possa optar por dar à luz e morrer em casa, as estruturas familiares nunca serão alargadas. Isto significa adoptar outra atitude em relação à medicina; significa um novo entendimento dos perigos da medicina centrada nos hospitais. Muitas pessoas na nossa sociedade morrem nos hospitais, simplesmente porque os hospitais são actualmente considerados como um lugar normal para morrer. As pessoas que morrem nos hospitais são muitas vezes sujeitas a intervenções dolorosas e sofrem inutilmente. Temos de redescobrir a arte de nascer e a arte em morrer em paralelo.

De qualquer forma, uma nova consciência do conceito de saúde primal pode ter efeitos práticos quase imediatos. Por exemplo, o que é que impede a maior parte das mães de se movimentarem com os seus filhos num baby carrier? Nas sociedades tradicionais, a maioria dos bebés passam grande parte das horas em que estão acordados junto ao corpo das suas mães, na sua anca, num sling ou ao colo de alguém.

As paredes da maternidade em Pithivier exibem um conjunto de fotografias mostrando bebés transportados numa variedade de carriers diferentes e em muitas culturas diferentes. Quando se considera a quantidade de estímulos de que um bebé tem consciência verifica-se que não existe comparação entre o contacto constante com o corpo da mãe que o bebé recebe num baby carrier e a falta de contacto físico quando o bebé está deitado num carrinho. Foi apenas nos anos 60 e 70 que o baby carrier foi redescoberto pelo mundo ocidental. Todas as pessoas que já utilizaram um carrier sabem como é eficaz para sossegar e tranquilizar um bebé. Para o bebé, é outra forma de descobrir o mundo.

Também nada devia impedir todos os bebés de dormirem com as suas mães. Isto não envolve qualquer custo, não necessita de equipamentos e cai fora do controlo das grandes instituições. Em todas as sociedades, com a notável excepção da sociedade ocidental desde o século XVIII, os bebés dormiram com as suas mães. Apenas é necessária a mais elementar observação para ver que o bebé precisa da sua mãe ainda mais durante a noite do que durante o dia e ainda mais na escuridão que na claridade. Na escuridão, o sentido predominante do bebé – a visão – está a descansar e, em vez dela, o bebé precisa de utilizar o sentido do toque, através do contacto pele com pele, e o olfacto.

A mãe também precisa do bebé. Qualquer pessoa que tenha conhecimento das dificuldades relacionadas com a amamentação na nossa sociedade sabe que uma das principais explicações para isto é o facto de os bebés serem separados das suas mães durante a noite. Muitas jovens mães têm distúrbios de sono porque são separadas dos seus bebés. Numa maternidade em que seja permitido às mães dar à luz usando as suas próprias hormonas, numa atmosfera que lhes dê liberdade para serem espontâneas, muitas tendem a dormir com os seus bebés e continuam a fazê-lo quando regressam a casa.

Se as mães não dormem com os seus bebés é porque alguém lhes disse que é um mau hábito. Isto tem sido dito às mulheres nos últimos três séculos, primeiro em nome da moralidade e depois em nome da ciência. As mães querem respeitar aquilo que lhes foi ensinado pelas gerações anteriores. O que se apelida de maus hábitos são afinal formas normais e naturais de atender às necessidades fundamentais de um bebé. Serem acusadas de maus hábitos é algo que pode assustar as jovens mães que gostariam de ouvir os seus instintos. As pessoas avisam-nas que existe o risco de abafar o bebé durante a noite mas isto simplesmente não acontece; as mães parecem estar sempre conscientes dos seus bebés mesmo enquanto estão a dormir. Também se sabe que as mães que amamentam têm um padrão de sono particular que exclui o sono profundo (fase 4). Mais, um bebé saudável sabe como se proteger e fazer soar o alarme se estiver a ser incomodado por um lençol ou um cobertor que o esteja a sufocar.

Todas as mulheres que dormem com os seus bebés relatam o quão fácil é dar de mamar durante a noite sem acordar totalmente. Elas sabem que o bebé utiliza o olfacto para encontrar o seu mamilo. A educação do olfacto é comummente negligenciada na nossa sociedade, é uma função muito arcaica e tem uma função vital a desempenhar na vida sexual.

Nunca seremos capazes de avaliar em profundidade os efeitos danosos de separar mãe e bebé à noite. Por exemplo, a síndrome da morte súbita, está a tornar-se cada vez mais comum nos países ocidentais. Contudo, é difícil saber até que ponto é que hábitos tais como a separação da mãe e do bebé podem ser responsáveis (pela síndrome da morte súbita).

Quando estive na China reparei que as mães dormem com os seus bebés, pelo menos, durante um ano. Ao mesmo tempo, verifiquei que ninguém parecia entender o significado de “morte súbita”. Em alguns países este fenómeno é conhecido como “morte da alcofa” (cot death). Possivelmente a alcofa é que é um facto essencial! Mais, quando se considera a elevada frequência de problemas de sono nos adultos, é tentador estabelecer uma ligação possível com o hábito colectivo de perturbar as necessidades nocturnas dos bebés.

Nem tão pouco conseguimos avaliar completamente os efeitos a longo prazo das interferências na amamentação que estão ligadas ao hábito ocidental comum de separar a mãe e o bebé durante a noite; também é impossível prever as consequências da repetição de situações em que o bebé se encontra sem ajuda e sem esperança devido à sua separação da mãe durante a noite.

Mães e bebés dormirem separados é um hábito tão enraizado na nossa cultura que até se torna difícil falar sobre isso sem que se riam de nós. Para modificar uma prática aparentemente simples seria necessário um forte apoio social e este torna-se ainda mais necessário quando estamos a lidar com uma instituição.

Este é o motivo pelo qual as equipas dos cursos de formação pré-parto e as conselheiras ou conselheiros de amamentação desempenham um papel tão importante na nossa sociedade.


Centros de saúde primal

Mulheres grávidas e jovens mães precisam de se ajudar umas às outras. Elas precisam se ter lugares onde se possam conhecer umas às outras. Este é o motivo pelo qual eu pretendo criar centros de saúde primal, como um primeiro passo em direcção à minha visão de saúde primal para todas as pessoas. Estes Centros de Saúde, poderiam funcionar como substitutos da família alargada. Estes Centros seriam lugares onde mulheres e casais que pensam ter um bebé, mulheres grávidas, jovens mães, bebés e avós se podem encontrar. Também seria o lugar ideal para a educação de raparigas e adolescentes; fora da nossa sociedade não existe um único exemplo em que as raparigas cheguem à idade de serem mães sem que alguma vez tenham segurado um bebé nos seus braços ou visto um bebé recém-nascido. Nem a família nuclear, nem a escola podem providenciar este tipo de educação. Não seria possível imaginar uma parceria entre os centros de saúde primal e as escolas?

Um centro de saúde primal seria inseparável de uma rede de partos não hospitalares e poderia até ser um local para muitas mulheres darem à luz. Parteiras autênticas aprenderiam, a partir da experiência, as coisas que não são aprendidas nas unidades de obstetrícia moderna. Quando falo de “parteiras autênticas” penso em pessoas experientes no acompanhamento ao parto que conseguem reconhecer a fase do parto sem repetir exames vaginais mas apenas ouvindo o barulho que uma mulher em trabalho de parto está a fazer, pela sua postura e observando as expressões do seu rosto.

Nos centros de saúde primal, eu imagino actividades que fomentem o sentido de comunidade e a coesão do grupo. Nenhuma destas actividades seria obrigatória, por exemplo, existiriam grupos de discussão, grupos de canto, grupos de dança e todo o tipo de outras actividades.

Imagino uma cozinha que estaria sempre aberta a todas as pessoas – um lugar para aprender a fazer pão ou como evitar comida processada. Uma cozinha destas seria a fonte das melhores receitas para uma mulher grávida ou para uma mulher a amamentar. Uma cozinha é um sítio onde as pessoas se sentem imediatamente à vontade, como se estivessem em casa.

Um centro destes seria um sucesso no dia em que ninguém se sentisse como um convidado.

Num lugar como este, seria possível estabelecer um laço inquebrável com os educadores pré-natais, as parteiras e as conselheiras de amamentação e, ao mesmo tempo, derrubar as barreiras existentes entre profissionais e leigos. As linhas divisórias entre as competências e as habilidades de todos tenderiam a desaparecer com o tempo.

No meu sonho, muitas cidades teriam um centro de saúde primal, localizado perto de um hospital. Mas este centro teria o cuidado e preservar a sua independência face à instituição médica. É preciso ter em mente que a medicina apenas desempenha um papel secundário na saúde de uma população e que apenas seria capaz de colaborar com um programa de saúde primal de forma mais discreta.

Também poderia haver um toque aquático neste local. Muitas mulheres grávidas, muitas mães e a maioria dos bebés são atraídos pela água. Pequenas piscinas também poderiam ser utilizadas durante os partos para ajudar as mulheres a libertarem-se das suas inibições. E os bebés poderiam ser capazes de cultivar as suas extraordinárias capacidades na água., a água faz-nos sonhar e a presença de bebés recém-nascidos ajudaria as pessoas a ver as coisas de forma mais clara e dar-lhes-ia uma visão de longo prazo. Com água e bebés, todas as condições estão presentes para criar fantasias sobre o futuro. Isto tornaria estes centros de saúde primal em janelas para o futuro.

A tecnologia irá ameaçar a sobrevivência da humanidade enquanto for utilizada por aqueles que não conseguem explorar as suas capacidades de visualizar o amanhã. Eu sonho com lugares que desempenhariam um papel primordial no processo da evolução em direcção a uma nova era. Apenas pessoas saudáveis podem estar conscientes das consequências a longo prazo das suas acções e decisões; Apenas pessoas saudáveis podem lidar com as prioridades reais.

Eu sonho que o ambiente no centro de saúde primal seria catalisador de discussões sobre a nova-economia. Imaginem uma economia em que a prioridade é a saúde! Que salto para a frente na história das sociedades humanas.

Eu sonho que o ambiente do centro de saúde primal seja catalisador de ideias radicalmente novas sobre o progresso. Os avanços tecnológicos irão levar a um desequilíbrio mortal a não ser que, simultaneamente, o homem procure explorar o potencial do seu cérebro arcaico ao máximo. É o seu cérebro primal que determina o seu estado de saúde e que carrega consigo uma outra visão do universo. A destruição do nosso planeta, a que estamos a assistir actualmente, só pode ser obra de um ser humano doente. A prioridade agora é a génese de um novo tipo de ser humano, um ser humano que terá uma relação diferente com a Terra, a Mãe.

O séc. XXI será ecológico ou não será.

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Reunião do Orçamento Participativo. Proposta de Casa inteiramente dedicada à maternidade em Lisboa

Cá estamos depois de uma reunião que foi animada e cheia de propostas.

O bebé brincou muito por entre as mesas e perna das cerca de 60 pessoas presentes.

Apresentei a proposta na da Casa Inteiramente dedicada à maternidade, na minha mesa e foi a aprovada por unanimidade (como todas as propostas de todas as mesas).

A facilitadora do meu grupo (voluntária e sem poder ter os seus filhos presentes estava muito contente por estar na companhia do meu bebé.) apresentou as propostas da minha mesa que lá ficou, a pairar no ar, por entre as necessidades de demolição de barracões, alcatroar ruas, recuperar prédios, fazer parques de estacionamento, and so on.


No total, deixei 3 propostas:
- cedência e possível gestão corrente, por parte da CML, de um espaço onde se possa criar uma casa/jardim inteiramente dedicada à maternidade e bebés. Uma casa que esteja aberta ara receber mães e bebés e que seja catalizadora dos esforços da sociedade civil e dos profissionais, pais e mães e trabalham a gravidez, maternidade e cuidados à primeira infância de uma forma global;

- colocação de uma cerca no Jardim da Feira da Ladra que permita criar uma zona livre de dejectos de cães onde os nossos bebés possam gatinhar em segurança;

- reconversão e abertura ao público do jardim do quartel da Graça incluindo uma zona interdita a animais onde bebés e crianças possam brincar em segurança.

Deixei ainda duas sugestões para futuros OP (no questionário de avaliação):

- criar mecanismos que permitam recolher as opiniões das crianças sobre a sua cidade. permitir aos mais pequenos participar no OP;

- nos momentos presenciais do OP, criar espaços e condições para que participantes e facilitadores possam levar os seus filhos.

Numa dada altura, uma das mulheres/mães presentes comentou o quanto as crianças nos limitam na nossa vontade de participar e ser socialmente activos. Respondi que não é o meu filho que me limita, é a sociedade em que me insiro que nos limita, que nos restringe a participação ao tornar o dia-a-dia impossível para uma mãe com um bebé. Somos sistematicamente excluídos de todo o tipo de actividades e isso sim é limitador.

Já devem ter ouvido dizer que "Não existe essa coisa chamada bebé", o que existe é o bebé e sua mãe (seja mãe biológica ou um outro cuidador principal), também não existem cidades sem gente e os bebés e crianças são gente e, como tal, tudo deve ser pensado e feito de forma que estes possam ser incluídos.


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UMA CASA INTEIRAMENTE DEDICADA À MATERNIDADE em Lisboa

Cá fica proposta que foi presencialmente (dia 24 de Juno na Graça) submetida por mim (e aprovada por unanimidade) na assembleia do Orçamento Participativo de Lisboa. Comentem, completem, critiquem para que, no momento de ser submetida on-line, seja o espelho de um trabalho conjunto.

O que podes fazer?

Divulgar, divulgar, divulgar para que muitas pessoas e instituições se envolvam na realização da proposta(até dia 28 de Junho) e especialmente na votação (a partir de 1 de Outubro):


- Até dia 28 de Junho contributos para a construção do texto final a ser submetido on-line (max 600 caracteres); Deve ser um texto que mostre como a ideia se pode concretizar, com que recursos e com que apoios pode contar. Conhecem projectos como este em alguma parte do mundo que nos possa servir de inspiração? São ou conhecem profissionais com experiência em projectos desta natureza e que podem ajudar na construção activa da proposta?

- Até dia 28 de Junho, demonstração de interesse das organizações que actuam nesta área e que gostariam se fazer parte de um projecto conjunto (para que constem da proposta dando-lhe mais força); Como é que as vossas organizações podem participar neste projecto? O que esperam de um espaço destes? Com o que podem contribuir uma vez estando a casa à nossa disposição?

- A partir de 1 de Outubro, divulgação e muitos votos para que a proposta se torne realidade. Segundo a CML, avançam as propostas com mais votos. Está nas nossas mãos tornar este sonho em realidade.

Todos os comentários e ideias serão apreciados. Por favor, participem de forma visível (pública) neste blog e/ou via facebook (http://www.facebook.com/?ref=logo#!/event.php?eid=133915539960213&index=1)

Resumo da proposta:


Cedência (e possível gestão corrente), por parte da CML, de um espaço onde se possa criar uma casa/jardim inteiramente dedicada à maternidade e bebés. Uma casa que esteja aberta para receber grávidas, mães e bebés e que seja catalisadora dos esforços da sociedade civil e dos profissionais, pais e mães que trabalham a gravidez, maternidade e cuidados à primeira infância de uma forma global.

Aqui fica o texto apresentado por mim na assembleia e que actualmente acompanha a proposta. Por enquanto é uma proposta individual mas pode ganhar força se te envolveres.

Contamos contigo!
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“É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança” e uma “aldeia inteira” não cabe entre quatro paredes, não se mede em m2 e número de assoalhadas cheias de objectos e pessoas televisionadas.

Uma “aldeia inteira” tem gente de verdade, tem mães, pais, avós, tios e tias, vizinhos sempre dispostos a ajudar as recém mamãs e a deitar um olhinho aos mais novos. Numa “aldeia inteira” nenhuma mãe é deixada 10, ou mais, horas por dia com um recém-nascido, sem tempo para cuidar de si e dos seus. Nenhuma mãe tem que sarar sozinha e em silêncio as dores físicas e emocionas que o nascimento e parto podem provocar. Numa “aldeia inteira” há comunidade, pertença e partilha

Numa “aldeia inteira” existem doulas, conselheiras de aleitamento materno, parteiras e todo o tipo de recursos para apoiar mães e bebés fora do contexto hospitalar porque, na “aldeia inteira” sabem que nascer, viver e morrer não é doença. Há sempre alguém que é mais velho, mais sábio e mais experiente para nos guiar e apoiar com tranquilidade. Nenhuma mãe tem que pagar para aprender como dar à luz e nutrir o seu próprio filho. Nenhuma mãe é aterrorizada com histórias macabras de partos difíceis e nados mortos, de leites que secam, que são fracos ou aguados, ao ponto de ter medo de parir e acreditar que é incapaz de amamentar as suas crias. Numa “aldeia inteira” as taxas de cesariana não estão, como entre nós, acima dos 30% (sendo que há instituições privadas onde ultrapassam os 90%), nem as taxas de aleitamento materno exclusivo (isto é, sem leite artificial) se encontram nos mesmos 30%. Numa “aldeia inteira” há conhecimento e passagem da informação.

As mães da aldeia inteira alimentam-se bem e vivem de forma saudável. A qualidade do leite das mães da “aldeia inteira” é a melhor do mundo (aqui também mas ninguém parece saber). Os bebés da aldeia inteira são alimentados ao peito, as crianças da aldeia inteira apanham sol em vez de, como aqui, beberem vitamina D engarrafada; comem frutas, legumes, carne e peixe sem produtos químicos em vez de, como aqui, tomarem vitamina C e outros suplementos, também engarrafados. Na aldeia inteira não há crianças obesas, com problemas respiratórios, eczemas e tantas outras doenças típicas das crianças citadinas do mundo ocidental. Numa “aldeia inteira” há alimentação de qualidade e fomento de hábitos saudáveis.

Numa “aldeia inteira” as mães e pais sentem-se seguros e confiantes, sabem o que é melhor para os seus filhos e sabem que são as melhores pessoas no mundo para lho proporcionar. Não entregam o presente e o futuro das suas crias à exclusiva responsabilidade de pediatras, enfermeiros e enfermeiras, professores e professoras, educadores e educadoras variados. As mães da “aldeia inteira” não sofrem de depressão pós parto porque existem condições físicas e humanas para que se possam viver a maternidade na sua plenitude. Numa aldeia inteira há empowerment, há confiança.

Uma “aldeia inteira” tem crianças. Crianças de todas as idades, todas misturadas, as mais novas a aprender com os mais crescidos o que mais tarde vão “saber” “ser” e “fazer”, os mais velhos a aprender desde cedo a cuidar de quem é mais indefeso. Numa “aldeia inteira” não existem “depósitos de crianças” (a que chamamos creches, infantários e berçários, ATL’s) onde estas são fechadas e segregadas por idades (nem “salas de espera da morte” às quais chamamos lares, centros de dia, OTL’s, na esperança de nos esquecermos de que os filhos que depositamos hoje nos vão lá largar amanhã). As crianças acompanham as mães nas suas actividades diárias. Nenhum bebé é deixado sozinho a chorar ou em frente à televisão. O ritmo de vida permite integrar os mais pequenos em vez de, como aqui, os excluir. Porque numa aldeia inteira, as mães tem espaços onde estar com outras mães e onde trabalhar com as suas crianças por perto. Na “aldeia inteira” nenhuma jovem chega à idade de ter filhos sem nunca ter tido um bebé nos seus braços, sem nunca ter visto um bebé ser amamentado ao peito. Numa aldeia inteira há observação, participação e aprendizagem pela experiência.

As crianças da “aldeia inteira” cantam, brincam, pintam, dançam, sujam-se livremente (e gratuitamente). Os bebés aprendem a gatinhar e andar na terra, nos campos verdes, na relva e não, como aqui, em andarilhos de plástico que lhes deformam as pernas fechados, dentro das suas casas (ou dos seus depósitos). Curiosamente, ou não, as crianças da “aldeia inteira” não sofrem de défice de atenção e não tem 1001 alergias. Numa aldeia inteira há brincadeira.

Numa “aldeia inteira” os passeios são para as pessoas e não para os veículos, os jardins são para as crianças brincarem e não apenas para os cães e seus dejectos. As famílias podem permanecer nos espaços públicos limpos, vigiados, sem ruídos que assustam os bebés, sem fumos vários de muitos escapes, à sombra e sem medo de serem assaltadas a qualquer momento. Numa aldeia inteira há espaço e segurança.

Uma “aldeia inteira” não sofre de desertificação, envelhecimento, baixa de natalidade porque na aldeia inteira apoia-se a vida na prática e não apenas em intenção.

Eu e o meu bebé não vivemos numa “aldeia inteira”, aqui, onde nós vivemos, foram implementadas medidas de política que permitem às mães ficar em casa com os seus bebés até aos seis meses mas as dificuldades de SER MÃE nesta cidade são tão grandes que há muito quem descreva os primeiros meses de vida dos seus filhos como tendo sido “um inferno”, “um suplício”, “um horror”. SER MÃE, em Lisboa, em 2010, é ficar em casa fechada, sozinha, mais de 10 horas por dia, sem tempo para preparar refeições completas, sem conselhos sábios quando o leite sobe, as mastites chegam ou a primeira febre do bebé aparece. É ir às urgências com o filho para descobrir que este não tem nada de urgente mas não dispor de mais nenhuma instância de apoio. É não saber distinguir um pico de crescimento de um bebé e desesperar porque se pensa que é a má qualidade do nosso leite e dos nossos cuidados que o fazem chorar. É ir ao “cantinho de amamentação” do nosso centro de saúde e descobrir que não passa de um papel colado a uma porta. É ter que pagar para toda e qualquer actividade que inclua bebés porque, infelizmente, os nossos filhos só são tidos em conta enquanto potenciais consumidores. É querer alimentação de qualidade e não a encontrar porque os restaurantes não tem motivos para fazer comidas particularmente saudáveis para mães e bebés. É sair à rua e não ter passeios, nem sombras, não conseguir proteger os bebés dos ruídos dos carros, do calor, da chuva, do frio. É ser assaltada no eléctrico 28 e no Jardim do Torel sob o olhar impávido das autoridades. É ter na alcatifa da FNAC e do átrio de alguns museus, os únicos espaços não molhados e gelados onde um bebé pode gatinhar no inverno. É ser expulsa de jardins de entidades públicas por estes (incompreensivelmente) não estarem abertos ao público. É querer um jardim sem urina e cocó de cão para descansar com o bebé e não encontrar. É ter que lidar com o voyeurismo de quem pensa que uma mama é um objecto sexual e não apenas a fonte de alimentação dos nossos filhos.

Eu e meu filho não vivemos numa “aldeia inteira” e não temos por intenção transformar a nossa cidade inteira. Eu e o meu bebé, tal como muitas outras mães, pais, bebés e amigos da humanidade, acreditamos que é possível criar um “ESPAÇO INTEIRAMENTE DEDICADO À MATERNIDADE”. Uma casa com jardim onde as mãe se bebés possam encontrar comunidade, pertença e partilha, conhecimento e passagem da informação, alimentação de qualidade e fomento de hábitos saudáveis, empowerment e confiança, observação, participação e aprendizagem pela experiência, brincadeira, em suma, onde possam encontrar espaço e segurança.

Esta proposta é para que se crie uma casa seja uma porta aberta para receber grávidas, mães, pais e bebés de Lisboa. Uma casa na qual as famílias se sintam seguras, cuidadas, acompanhadas e aceites. Uma casa que seja catalisadora das muitas instituições da sociedade civil, profissionais, pais e mães que trabalham por uma vida melhor para as nossas mamãs e bebés. Já há muita gente a trabalhar para trazer a “aldeia inteira” à cidade. Vamos juntar todos os esforços num só espaço para assim chegar à cidade inteira.



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Onde está o observatório do aleitamento materno prometido para 2010?


Direcção-Geral da Saúde cria Observatório do Aleitamento em 2010

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) vai criar um Observatório do Aleitamento Materno em 2010 para recolher dados sobre a amamentação em Portugal, disse fonte desta instituição. O Observatório vai estar sedeado em, pelo menos, metade dos cerca de cem "Cantinhos da Amamentação" actualmente existentes em centros de saúde.


O trabalho do Observatório vai começar em Janeiro de 2010, prevendo-se que seja publicado um relatório com os resultados no ano seguinte. O projecto é fruto de uma parceria entre o Comité de Protecção, Promoção e Apoio ao Aleitamento Materno da DGS e a organização não-governamental Mama Mater. "A ideia é contribuir para a recolha e disponibilização de dados para todos os que se interessam por esta área. Os poucos estudos que existem são pontuais e circunscritos", adiantou a mesma fonte.

O interesse pela amamentação é crescente, mas o sucesso nem sempre é garantido. Para ajudar as mães, existem especialistas, como as conselheiras de aleitamento ou consultoras de lactação, que ajudam a ultrapassar dificuldades, esclarecer dúvidas e motivar. Os dados disponíveis sobre a taxa de amamentação em Portugal são escassos e pouco fiáveis, mas profissionais de saúde e outros especialistas são unânimes em reconhecer que o interesse das mulheres pelo aleitamento é grande.

"Temos grandes taxas de iniciação. À partida, a maior parte das mães está disponível para amamentar, mas a partir do primeiro mês há uma quebra significativa", disse Adelaide Órfão, da Direcção-Geral da Saúde, na véspera do Dia Mundial do Aleitamento Materno, que se assinala amanhã.

As dificuldades surgem, sobretudo, devido à má adaptação do bebé à mama, a chamada "pega". "Não sendo adequada, a mãe sente dor e pode ter fissuras e o bebé não recebe tanto leite", explicou Adelaide Órfão, sugerindo que as rotinas hospitalares e as modalidades de partos tem uma influência decisiva no (in)sucesso da amamentação.

"Cantinhos da amamentação"

Para resolver problemas e responder a questões existem "cantinhos da amamentação" em cerca de cem centros de saúde e cinco maternidades, com profissionais de saúde formados nesta área. Mas a ajuda não se resume aos profissionais de saúde. Isabel Rute Reinaldo, presidente da SOS Amamentação, foi uma das pioneiras dos grupos de apoio "mãe-a-mãe". Em 1996, participou no primeiro curso de aleitamento materno promovido em Portugal pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela UNICEF e dedica-se desde então a apoiar mães e promover formação.

"Muita da informação passada às mães está desactualizada", afirmou. Entre as ideias erradas aponta, por exemplo, os limites aconselhados para a duração das mamadas, "que devem variar de acordo com os ritmos de cada bebé", os intervalos de três horas entre refeições "que surgiram devido à digestibilidade mais difícil do leite artificial" e a posição do bebé no peito.

Isabel Rute Reinaldo destaca a importância da pega correcta para o sucesso da amamentação. A ideia é reiterada por Cristina Leite Pincho, que começou a fazer workshops de amamentação há oito anos e é uma das sete consultoras de lactação reconhecidas internacionalmente em Portugal

Segundo esta especialista, quase todas as dificuldades surgem por causa da pega incorrecta. "Raramente são causas anatómicas", sublinhou, adiantando que praticamente nenhum caso é motivo para iniciar o aleitamento artificial. "A OMS recomenda que a amamentação deve ser exclusiva até aos seis meses e prolongada até aos seis anos. Mas está inculcada uma certa ideia de que isto é excessivo, que é uma aberração", lamenta a consultora de lactação. Cristina Leite Pincho sublinha que a alimentação com leite artificial surge apenas em quarto lugar nas recomendações da OMS, a seguir ao aleitamento materno, alimentação com leite extraído da mãe e leite de dador humano.

in: http://www.publico.pt/Sociedade/direccaogeral-da-saude-cria-observatorio-do-aleitamento-em-2010_1394099


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Infância e Direitos: Participação das crianças nos contextos de vida – representações, práticas e poderes

A tese Infância e Direitos: Participação das crianças nos contextos de vida – representações, práticas e poderes – sustenta-se no pressuposto de que as crianças são sujeitos activos de direitos. A infância, enquanto grupo geracional, tem um carácter permanente na sociedade, um espaço e um tempo próprios, que, apesar das especificidades culturais, sociais, económicas dos seus elementos, marca uma etapa de vida para qualquer indivíduo e determina também a organização social. Sustentase, também, no pressuposto de que será através da valorização da voz e acção social das crianças, dando espaço à pluralidade das suas formas de comunicação, que se poderá construir um conhecimento válido que suporte, nos planos teórico e prático, a intervenção social e educativa com crianças. Através de uma investigação de natureza participativa, definimos as questões de investigação. Preocupamo-nos, por um lado, em saber de que forma as condições sociais configuram a construção da identidade social da criança, a forma como se define a si e aos outros, se revê enquanto cidadão, titular de direitos e responsabilidades. Por outro lado, pretendemos perceber a natureza das vivências que estão presentes na realização dos direitos da criança, nomeadamente no que se refere aos direitos à família, à protecção e à participação. Neste processo é relevante saber quer o tipo de estratégias que as crianças usam quando se revêem como participantes activos no exercício dos seus direitos, quer os constrangimentos que identificam quando consideram a ausência de participação activa na vida social, ou os obstáculos à sua identificação como sujeitos de direitos. O trabalho de interpretação dos discursos (verbais e plásticos) de crianças entre os 8 e os 13 anos de dois contextos sociais distintos – uma escola pública de classe média e uma instituição de acolhimento – permite-nos apresentar as suas representações acerca do exercício dos direitos à protecção, à família e à participação, as práticas que caracterizam a sua acção social e ainda os poderes que influenciam o exercício desses direitos.

Texto integral em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/6978?mode=full&submit_simple=Mostrar+registo+em+formato+completo


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Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas

"PROFISSÃO "MÃE"


Ana foi renovar a sua carta de condução. Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão.

Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.

-"O que eu pergunto é se tem um trabalho", insistiu o funcionário.

-" Claro que tenho um trabalho", exclamou Ana.

-"Sou mãe".

-"Nós não consideramos 'mãe' um trabalho. Vou colocar Dona de casa", disse o funcionário friamente.

Não voltei a lembrar-me desta história até ao dia em que me encontrei em situação idêntica...

A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante.

-"Qual é a sua ocupação?" Perguntou.

Não sei o que me fez dizer isto; as palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora:

-"Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas."

A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar e olhou-me como quem diz que não ouviu bem...

Eu repeti pausadamente,enfatizando as palavras mais significativas.

Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.

Posso perguntar", disse-me ela com novo interesse, "o que faz exatamente?"

Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder:

-"Desenvolvo um programa a longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa).
Sou responsável por uma equipa (a minha família) e já recebi quatro projectos (todas meninas). Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda???), o grau de exigência é em nível de 14 horas por dia (para não dizer 24 horas).

Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou e pessoalmente foi abrir-me a porta.

Quando cheguei a casa, com o título da minha carreira erguido, fui recebida pela minha equipa.

Senti-me triunfante.

Maternidade... que carreira gloriosa!

Assim, as avós deviam ser chamadas "Doutora-Sénior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas".

As bisavós: "Doutora- Executiva-Sénior".

E as tias: "Doutora - Assistente".

Mande isto às futuras mães, às mães, avós, bisavós e tias que conheça.

Uma homenagem carinhosa a todas as mulheres, mães, esposas, amigas e companheiras.

Doutoras na Arte de fazer a vida melhor !!

"Somos do tamanho dos nossos sonhos."
Fernando Pessoa


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Definições: NONATO

nonato
adj. s. m.
adj. s. m.
Que saiu do ventre materno por operação cirúrgica.

in: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=nonato


in: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa-ao/nonato

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Definições: MAMA

Em que momento da nossa história civilizacional é que chegamos à metáfora do ponto 7?

mama (latim mamma)s. f.

1. Anat. Órgão glandular dos mamíferos que segrega o leite, geralmente atrofiado nos machos e segregador de leite na mulher e nas fêmeas dos outros mamíferos. = glândula mamária, teta, úbere

2. Cada uma das saliências no tórax da mulher, onde se situam as glândula mamárias. = peito, seio

3. Leite materno ou da ama que as crianças sugam durante a amamentação.

4. Acto!Ato de mamar. = mamadura

5. Duração de cada acto!ato de mamar. = mamadura

6. Pop. Período da amamentação.

7. Emprego lucrativo e sem grande esforço. = conezia, sinecura, tacho, teta, veniaga, andar à mama ou querer mama: parasitar, viver à custa alheia.Pop. querer mama: querer colo ou protecção!

in: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=mama


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Lá onde eu moro (Parte I)

Exms. Senhores,

Sou moradora e eleitora da Freguesia da Graça e mãe de um bebé de 9 meses.

Desde que o meu filho nasceu que me vejo, diariamente, condicionada pela falta de qualidade de vida da nossa cidade. Uma das questões que actualmente me preocupa é o facto de não existirem na cidade jardins sem dejectos de cães onde o meu filho (e os bebés em geral) possa aprender a gatinhar e a andar.

Esta manhã dirigi-me à Junta de Freguesia da Graça para me inscrever na reunião do Orçamento Participativo de dia 24 de Junho (que por acaso não era do conhecimento da funcionária e para a qual, ao contrário do anunciado na própria Junta, não havia qualquer forma de inscrição) e para permitir ao meu filho gatinhar no Vosso lindo jardim à sombra de uma árvore.

Acreditem que é com pesar que escrevo que não me foi permitido usufruir do jardim por este não ser "público". O jardim das Vossas instalações é o único jardim onde o meu filho poderia gatinhar sem se cortar em vidros, sem estar em contacto com dejectos de cães e suas bactérias e com sombra. Sei que posso ir para o Jardim da Gulbenkian mas a distância faz com que se torne difícil faze-lo com um bebé pequeno.

Esta manhã, quando vi goradas as minhas esperanças de ter encontrado um local agradável para o meu filho dar largas à sua energia e alegria de viver, não pude conter as lágrimas. Poderia ter ficado revoltada com as condições que Lisboa e a Graça nos oferecem, com o facto de os jardins prometidos não existirem e os existentes serem para os cães e não para os nossos filhos. Podia ter ficado revoltada com o facto de os nossos parques infantis serem ao sol e com o piso demasiado áspero para um bebé. Poderia ter ficado revoltada porque os nossos passeios estão cheios de carros e mais dejectos de cães tornando qualquer incursão na rua com um bebé muito desagradável. Podia aumentar ainda mais a minha revolta ao pensar na dificuldade que é sair da Graça de transportes públicos, no medo que tenho dos carteiristas do eléctrico, na casa de arrumos a que chamam "cantinho de amamentação" do Centro de Saúde da Graça. Podia ter ficado revoltada com a consistente falta de apoios, recursos e infraestruturas para mães e bebés na nossa cidade e freguesia mas, só consegui ficar triste e ainda mais desanimada.

Gostaria, por isso, de solicitar a V. Excelências, permissão para que o meu filho e outros bebés da nossa freguesia, possam gatinhar no Vosso relvado, pelo menos, duas horas por dia. Considerariam os senhores a possibilidade de criar um horário para receber os nossos filhos? Não peço salas, funcionários, materiais nem algo que envolva muita logística, apenas que nos permitam pisar e permanecer no Vosso relvado.

Sabendo que farão o possível para responder de forma positiva a todas as mães e bebés da Graça, subscrevo-me cordialmente.

Cátia e Sebastião

RESPOSTA DO PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DA GRAÇA:

Exmª Senhora,

Em resposta ao s/ e-mail, vimos apresentar as nossas desculpas pelo ocorrido.
De facto o Jardim da Junta é um espaço aberto à população que dele queira usufruir e com a sua presença o dignificar. Deste modo, o mesmo encontra-se disponível para o seu e todos os bebés da freguesia.
Grato pela atenção dispensada.
Cumprimentos

O Presidente

PAULO QUADRADO

"A cidade não é uma causa, é uma consequência!"

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Carrinho ou porta bebé?







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Bisfenol A

Bisfenol A

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O que é bisfenol-A (BPA)?
O bisfenol-A é um produto químico usado na fabricação de plásticos. O BPA também é utilizado no revestimento interno de quase todas as latas de alimentos e bebidas, inclusive em latas de fórmula para bebês.

Por que o bisfenol A é usado em recipientes de comidas e bebidas?
Porque ele é transparente, forte, leve e duradouro e torna o plástico mais resistente a rachaduras. O revestimento de BPA usado no interior de latas de comida e bebida evita que as latas enferrujem.

O contato com o bisfenol-A traz riscos à saúde?
Nos últimos 10 anos, estudos com animais realizados em laboratório sugeriram que quantidades mesmo muito pequenas de bisfenol-A podem ser prejudiciais para a saúde, afetando principalmente o desenvolvimento de bebês e crianças pequenas.

Quais são os possíveis perigos do bisfenol-A para a saúde?
Os perigos incluem alterações no desenvolvimento do sistema nervoso do bebê (função da glândula tiroide e crescimento do cérebro); mudanças no comportamento e no desenvolvimento do intelecto (hiperatividade e agressividade). O bisfenol-A também foi associado à obesidade, problemas cardíacos, diabetes, câncer, puberdade precoce e tardia, abortos, infertilidade e anormalidades no fígado. Pesquisas já associaram o químico a problemas sexuais em homens, como a diminuição da qualidade e da quantidade de esperma.

Como estamos expostos ao bisfenol A?

Bebês e crianças: há duas formas mais comuns de contato com o BPA:
1 – O BPA pode ser transmitido para criança através do consumo de alimentos ou bebidas acondicionadas em plástico, como mamadeiras, copinhos, pratinhos e talheres. É importante salientar que o aquecimento da mamadeira leva a um maior desprendimento do bisfenol-A, no entanto, em mamadeiras de plástico a migração vai acontecer independe dela ser aquecida ou não.

2. O BPA também pode migrar de latas, como as de leite em pó, e assim ser ingerido pela criança. É cientificamente comprovado que o bisfenol-A passa pela placenta e a contaminação do feto ocorre sempre que a mãe ingerir um produto que esteve em contato com o químico.

Adultos: Pela ingestão de alimentos ou bebidas provenientes de latas, recipientes plásticos usados para guardar alimentos na geladeira, garrafas (squeezes) e garrafões.

Como evitar o contato com o bisfenol A?

- Consuma frutas e hortaliças frescas. Ao comprar conservas prefira as de vidro.
- Não aqueça comidas ou bebidas em recipientes de plástico.
- Rejeite qualquer recipiente de plástico que estiver velho, gastou ou turvo. Isto inclui garrafas d’água. Para acondicionar alimentos prefira os de aço inox, cerâmica ou vidro.

Como proteger o meu bebê do bisfenol A?

- Evite ingerir bisfenol-A se estiver grávida ou em fase de amamentação;

- Dê leite materno;

- Prefira mamadeiras de vidro ou que tenham o selo BPA free.

Para mais informações, pesquisas e notícias sobre o bisfenol-A: www.otaodoconsumo.com.br

Near Buckeye, Maricopa County, Arizona, ... - World Digital Library


Near Buckeye, Maricopa County, Arizona, ... - World Digital Library

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UNESCO -
Biblioteca Digital Mundial disponível na Internet, através do sítio
www.wdl.org .
O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela Web ,
sem necessidade dese registarem

The infant and family in the twenty-first century

A Criança e a Família no Século XXI é o resultado de um sonho nascido em Lisboa, aquando da realização de uma grande Reunião Científica intitulada Bebé XXI. Pensámos então que, na viragem de um novo século, seria interessante colocar o desafio que corresponde ao título deste livro a dezasseis investigadores, professores universitários e clínicos que dedicam as suas vidas à causa da criança. Na inspiração da proposta surgiram, então, dezasseis capítulos que pretendem fazer o balanço do que pode ser feito em prol da Criança e da Família, na base de uma evidência científica partilhada.
Este livro pretende não só ser uma fonte de conhecimento para os pais mas também um manual de estudo para os profissionais. A Criança e a Família no Século XXI simboliza a nossa postura e assimila a responsabilidade partilhada tanto pelos autores como pelos editores.

Sinopse disponível aqui



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Porque faço o que faço? Ou Porque sou assim....

Se, até à gravidez, já havia uma voz que me dizia que havia mudanças a empreender no lufa-lufa do dia-a-dia para que a minha vida tivesse mais sentido, se já me questionava sobre 1001 coisas (*) quando fiquei grávida - em plena sabática meditativa que pude tirar graças ao trabalho árduo do MARAVILHOSO pai do meu filho - senti uma urgência em fazer parte da mudança, em partilhar, criar comunidade, desacelerar, simplificar, procurar o fisiológico, o biológico, o natural, de me ligar aos milhões de anos que a minha espécie tem de existência, ao que a cultura (ainda) não conseguiu destruir.

A gravidez, o nascimento do meu filho, o amamentar, acarinhar, limpar e protege-lo todos os dias, 24 horas por dia, trazem-me a plenitude da vida. De repente, tudo faz sentido na sua forma mais simples, mais intuitiva … todas as opções são naturais. Não se trata da mãe que quero ser ou do filho que quero que ele venha a ser. Trata-se de viver aqui e agora de forma consciente, sustentável e plena dando importância ao que, para mim, realmente é importante.


Um mês depois do Sebastião nascer a minha mãe soube que tinha linfoma (rádio, volta a trabalhar para a semana) e uns meses depois (já esqueci quantos) o pai da minha mãe morreu engasgado com o almoço (comida na traqueia ou algo igualmente simples mas fatal). Perante o nascimento e morte, a vida apresentou-se-me tal como é, um ciclo. Esta constatação trouxe-me a certeza de que este é o caminho que quero continuar a empreender pois se, inevitavelmente, me dirijo para a morte o importante é como e com quem faço a caminhada.


(*) o facto de termos uma sociedade baseada no consumo com a consequente obrigatoriedade de se trabalhar para auferir um rendimento que o alimente, as desigualdades sociais, a degradação do ambiente, a destruição das formas de produção tradicionais e sustentáveis (é engraçado porque em 1999 a minha tese de licenciatura foi sobre a agricultura bio. Mas só 10 anos depois passei a ser consumidora bio.) o fim dos sistemas de trocas, a incongruência das fronteiras e todas as outras formas de dividir, a (in)governabilidade dos nossos sistemas políticos, a quase impossibilidade de habitar de forma saudável as nossas cidades, a ineficácia dos sistemas escolares que reproduzem desigualdades e mentalidades em vez de estimular a criatividade e a mudança, a adulteração das dinâmicas comunitárias e familiares (individualismo, consumo, TV) ....










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Fico tão revoltada com isto tudo que me apetece gritar!

então os portugueses ainda não chegaram ao ponto de, através das suas práticas quotidianas, diminuírem a esperança média de vida da sua prole? Fixe, ao contrário dos americanos (coitados), podemos continuar a envenenar os putos com bifesnol A, ftalatos, Alquilfenóis (só para nomear alguns), radiações dos microondas, açúcar, gorduras trans, farinhas refinadas, leite em pó de bovinos loucos entupidos de rações sintéticas e antibióticos (ou o leite utilizado para o leite em pó é livre destas porcarias?) mas... até quando? Em que momento se dá a viragem e começamos a comprometer a espécie? Dava jeito saber par poder remediar a coisa a tempo. ;)
Sinto-me enganada, ultrajada por ter passado a vida toda a pensar que o plástico é inócuo, que o microondas é inócuo, que o leite em pó é inócuo... é tudo tão absurdamente ridículo que nos vendem a ideia de que estamos a proteger os nossos filhos esterilizando recipientes de plástico com os quais os alimentamos e afinal estamos a comprometer a sua e a nossa saúde ao fazer libertar, por via do calor, substâncias que lhes alteram os genes!
Porque é que os fabricantes de tralhas de plástico não inscrevem nos seus produtos se estes contém ou não bifesnol A? Porque é que as maternidades estão equipadas com materiais plásticos que contém bifesnol A? Que capacidade tem um recém nascido prematuro ligado a 1001 tubos com bifesnol A para eliminar esta substância do seu organismo?
Tretas? se isto fossem tretas não teríamos países onde foram proibidos os plásticos com bifesnol A em nome da protecção das famílias: http://www.chemicalsubstanceschimiques.gc.ca/challenge-defi/batch-lot-2/bisphenol-a/index-eng.php
Fico tão revoltada com isto tudo que me apetece gritar!

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