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Unschooling e nós

Desde que me interesso por assuntos "divergentes" da norma, sejam eles relacionados com o meu filho e com o meu papel como mãe, ou não, que tendo a ser atacada pelas minhas opções e, consequentemente, tornei-me muito defensiva. 

Por estar à defesa, procurei relacionar-me - virtual e fisicamente - com pessoas que pensam, sentem e vivem como eu mas, em todos os contextos, encontrei sempre opiniões e vivências contrárias à minha.

A dada altura, o meu circulo estava-se a fechar, os poucos "como eu" eram cada vez mais poucos e, por ter anulado a presença das divergências, limitei o meu potencial de crescimento. Ao anular as vozes divergentes, anulei também a possibilidade de aprender, de melhorar, de crescer com elas. Estagnei.

Levei alguns meses a perceber que tinha o copo demasiado cheio - http://sandradodd.com/deschooling - e a transbordar, transbordar, transbordar...

Há quem considere o unschooling como uma variedade de  Ensino DomÈstico, para nós, é  uma forma de estar na vida, uma forma de vida. 

Como o nosso filho ainda só tem  dois anos,  é cedo para falar em unschooling com ele. O que estamos a fazer é, sobretudo, aplicar esta forma de vida a nós mesmos e a tentar superar as décadas de escolarização, de relacionamentos familiares condicionais, de regras, limites e ensino que temos na bagagem. 

Estamos também a redescrobrir a alegria de aprender sem ser ensinado, a começar a acreditar que podemos e conseguimos aprender sem ser ensinados. estamos a começar a ver potencial de aprendizagem em todo o lado, a toda a hora, nas mais pequenas coisas.


Uma das coisas que tenho aprendido é deixar de lado o medo.

Quando falamos em crianças, educação (e, sobretudo em ED, mesmo nos meios de ED) surge sempre o medo de não estar a dar às crianças o que lhes dá a escola (seja em socialização ou em conhecimentos) o medo de não "ensinar" o que lhe faz falta.

As nossas vidas estão cheias de "E se...?" "e se eles reprovam...?", "e se o ministério da educação implica connosco...?" "e se eles não se interessam naturalidade pelo que queremos ensinar.."?, " e se não entram para a faculdade...?" " e se não conseguem encontrar emprego..?"

Com o deschooling estou a aprender que vão sempre haver "e se's...?" mas eu posso escolher não me deixar afectar por eles, posso escolher, perante um "e se...?" confiar que nós e o nosso filho vamos sempre saber qual a resposta adequada. Posso escolher confiar que, nesta vida, há espaço para quem aprendeu todas aquelas coisas da escola, para quem vai para a faculdade, para quem segue o percurso normativo mas, há também espaço para quem escolheu fazer, ser e seguir um caminho diferente, seja ele qual for.

Ao escolher o unschooling não estou a escolher que o meu filho aprenda o mesmo que os outros, em sitios e com meios diferentes. Estou, conscientemente, a escolher que o meu filho (e eu) aprenda coisas diferentes.

Uma destas noites dizia ao meu marido que "este país está cheio de adultos que sabem de cor todos os rios de Portugal e colónias sem nunca terem banhado os pés em nenhum deles. Eu estou a escolher, para mim e para os meus, banhar os pés, mergulhar, desfrutar do rio (1, 2, 3 rios, todos os rios... não interessa) desde que sinta, vezes sem conta...


Aprender a desfrutar é outra das aprendizagens que tenho feito mas isso dá outro texto :)

Deschooling é, aqui e agora, a o ideal para nós. Se, amanhã ou daqui a 4 anos, o nosso filho vai, ou não, para a escola, é um "e se...?" com o qual escolho, agora, não me preocupar.

Seja qual for o percurso a seguir, saímos deste processo de conscientização de mais de trinta anos de medos, culpas, regras arbitrárias, aprendizagens forçadas, amor condicional e expectativas, mais leves e preparados para a vida.


Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

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