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24 de Novembro | Dia sem compras | Um ano sem compras?

 Há 3 anos, quando deixei de trabalhar a tempo inteiro mas continuei com os créditos para pagar, necessitei de diminuir o consumo de produtos e serviços. Inicialmente foi muito difícil, tive crises de ansiedade e sentia-me permanentemente em escassez. Com o tempo, fui conhecendo outras formas de estar, outras formas de comprar, de receber, de viver em abundância e já me sinto mais tranquila relativamente a este modo de vida.

Curiosamente, ontem, depois de dois banhos em diferentes lagos e chafarizes do centro de Lisboa e de ter gasto as três mudas de roupa com que saí de casa, decidi ir a uma dessas gigantes lojas de roupa comprar um casaco ou camisola do homem aranha.  Foram várias as razões: a) o miúdo estava triste porque eu lhe expliquei que a consequência natural de se ter molhado tantas vezes era irmos, de taxi, para casa, mudar de roupa ou já não chegaríamos a tempo ao jantar marcado, nessa noite em Setúbal. Por causa da viagem de taxi iríamos gastar dinheiro e ele tinha que se separar mais cedo do melhor amigo; b) desde o início dos dias frios que lhe prometi uma camisola, quentinha, sem buracos e sem partes brancas, do homem aranha - só assim pode o rapaz dar descanso à t-shirt em segunda mão que lhe ofereceram este verão - claro que, agora, veste as duas; c) parecia mais lógico e alegre para toda a gente gastar dinheiro na camisola nova do que no taxi.

Fomos da Casa do Alentejo - um dos sítios do mundo onde as pessoas são mais antipáticas e o sítio que o S. escolheu para o banho o que levou a que fossemos praticamente postos na rua - até à Maioral mas não vendiam camisolas do homem aranha. Restou-nos a HM. Foi como uma descida ao inferno. Quente, muito quente, aliás, estupidamente quente, muita luz, música alta, "0" funcionários a atender para nos ajudarem a encontrar o que queremos, muita gente... um horror. Encontramos um casaco do homem aranha que custou quase 20 euros. Eu nem queria acreditar. As calças de fato de treino que lhe correspondiam custavam 15 euros e, claro, ficaram na loja. Como resultado da visita a uma das "catedrais do consumo" fiquei constipada. Ainda nem tinha saído da loja e já sentia os olhos a arder e a garganta a doer.

A verdade é que a única vez em que comprei roupa para o S. foi quando  ele tinha uns 8 meses e fomos a uma festa de família. Desde então tem vestido a roupa que nos dão amigos, amigas, familiares e vizinhos.

Muitas vezes, sinto que as pessoas oferecem a roupa de forma envergonhada, como se nos estivessem a ofender por sequer pensarem que nós poderíamos querer vestir o nosso filho com roupa que é dos outros.

Alguns familiares já nos perguntaram,. horrorizados, "mas não vai ter nem uma roupinha dele? coitadinho!" Ele tem muita roupinha dele. Tem tanta roupa e roupinha que eu até faço distribuição pelos amigos e conhecidos. Já temos roupa "dele" até aos 11 anos, temos mais sapatos do que ele seria capaz de calçar em 3 vidas, temos tantos casacos de inverno que podiamos ir viver para o Alasca e, mesmo assim, não os vestiriamos todos. Eu já dou a roupa a partir dos 4 anos a ouytras famílias e peço em troca que me devolvam qualquer coisa que tenham em bom estado e que já não sirva aos deles, é que a casa é pequena e não cabe cá tudo. Não me interessa se me devolvem as mesmas roupas ou outras, só interessa que dê para vestir.

Nós queremos muito vestir o nosso filho com roupa que é dos outros e por várias razões:
a) não saberíamos onde encontrar os milhares de euros necessários para vestir uma criança com roupas novas. Entre os 0 e os 10 ou 11 anos, quantos milhares serão necessários?

b) fico sempre assombrada quando nos dão as roupas impecáveis, novas, sem riscos, nem nódoas, nem rasgões. O que seria daquelas roupas novinhas? Já imaginaram o desperdício de recursos? O planeta terra é só um e os recursos  não são ilimitados;

c) poupo a minha família dos químicos de que estão impregnadas as roupas novas. O casaco novo do homem aranha costou 20 euros e uns quantos dias de vida pois emana um cheiro tóxico que não pode dar saúde;

d) quanto mais antiga for a roupa - velha também serve - melhor pois os materiais tendem a ser melhores. Eu prefiro uma camisola dos anos 70 - eu sei, feias, demodé mas eu até gosto ... - 100% algodão ou pura lã do que uma camisola da moda e 100% poliéster;




O mesmo se aplica a brinquedos - que compramos o mínimo de vezes possível e quase sempre em segunda mão. Felizmente, somos clientes fixos da Feira da Ladra - à hora do fecho - e a Feira retribui com todo o tipo de brinquedos que os feirantes abandonam no chão. A semana passada trouxemos uns 15 livros do Noddy, Gormitis, Cars, Bolt, uma almofada do homem aranha, uma caixa, intacta, de digitintas com carimbos e tudo, um puzzle enorme de madeira, muitas roupas para mim e para ele... eram sacos e sacos, até voltamos para casa de boleia.

Também não compramos móveis, loiças , toalhas, paninhos, objectos decorativos para a casa, a rua dá-nos tudo. Eu penso que queria um sofá assim e assado e ele aparece na rua, pronto a transportar para casa - por acaso tivemos que pagar uns senhores que o carregaram para o 3º andar sem elevador.

Há uma semanas pensei que gostava de saber costurar para fazer saquinhos de pano onde guardar as várias coisas que tínhamos espalhadas - brinquedos, meias, o lanche do S quando vamos para a rua, as mudas de roupa. Ia eu de passeio pela graça e encontrei, ao lado do ecoponto, uma saca cheia de saquinhos de pano, todos diferentes, todos lindos, dobrados, passados a ferro e cheirosos.

Também aconteceu com as peúgas, num dia pensei "é melhor comprar peúgas para o S. que as dele estão pequenas" e no dia seguinte encontrei na feira uma saca de peúgas imaculadamente dobradas, engomadas e cheirosas".

Às vezes sinto tristeza pelas crianças que não brincaram com as coisas que encontramos ou que compramos em segunda mão. Penso que elas não estragaram os brinquedos, não sujaram as roupas novinhas com as quais nós vamos desfrutar e que nós vamos destruir em três tempos. Honro essas crianças e desejo-lhes que se libertam de tamanha clausura nem que seja quando tiverem filhos.

Gostamos muito de comprar numa senhora da Feira da Ladra que tem brinquedos entre 10 e 50 cêntimos. Deixo-o escolher tudo o que quer e, quando começamos a amontoar bonecos em casa, junto uns quantos e devolvo à senhora para que os revenda.


Quando aos frutos legumes, começamos a comprar o cabaz do PROVE, distribuído no mercado de Santa Clara, todas as Terças, das 17:30 Às 19:30. É uma ginástica engraçada tentar fazer refeições.






 


O ano passado tentei deixar de comprar detergentes e  cosméticos mas distraí-me e já compro novamente. Sempre o mínimo possível mas compro. Hora de retomar essas lides domésticas.

 Hora também de rever como outras pessoas, pelo mundo fora, vivem sem compras.

A web sem compras:

The Compact - Grupo yahoo de indivíduos comprometidos a não consumir produtos novos, sejam de lojas ou Internet, apenas comprar local, minimizar a quantidade de objectos que possuem em casa.
O grupo - http://groups.yahoo.com/group/thecompact/
O blog -  http://sfcompact.blogspot.pt/


Um ano sem Zara - Dicas para estar na moda e vestir bem reutilizando o que já está no nosso armário. Blog de uma mulher que decidiu passar um ano sem comprar roupa.
http://www.umanosemzara.blogspot.pt/ 

Em 2009, comprometeu-se a viver uma vida mais simples e quase sem dinheiro e a não comprar nada de novo durante um ano. Já lá vão três anos e continua a comprar apenas o estritamente necessário. Este blog documenta as suas principais descobertas e dificuldades.
http://myyearwithoutspending.blogspot.pt/ e o website que se lhe seguiu - http://www.myyearwithoutspending.com/

Mulher vive sem dinheiro há 15 anos - http://wakeup-world.com/2011/07/18/happy-69-year-old-lady-has-not-used-money-for-15-years/

 35 prendas que os teus filhos nunca vão esquecer - http://www.becomingminimalist.com/35-gifts-your-children-will-never-forget/

Renovação de casa gratuitamente -  http://www.dailymail.co.uk/news/article-2079784/The-austerity-house-Couple-completely-make-home-reclaimed-goods.html


 

Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

1 comment:

  1. A minha bebé anda a vestir a roupa do mano desde que nasceu. A roupa nova que vestiu foi porque avós e amigas acham que a "coitadinha", aos 7 meses, tem de ter roupinha dela e de menina.
    Infelizmente não temos familiares que nos ceda roupa dos filhos, senão aceitava, até porque muita roupa fica nova. Eles crescem à velocidade da luz...
    MAs a minha filhota vai aproveitar muita roupa do mano, ai vai, vai.. :)

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