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Tristeza e apreço


 
Em plena celebração de Acção de Graças, empreendi o passeio semanal no bairro.

A simples observação da nossa rua deixa antever que algo vai muito mal em terra Lusas, havia lixo em todo o lado.

Saltei uns dias nas planeadas acções de gratidão e dediquei-me a apanhar garrafas de água, pacotes de sumo, sacos de ervilhas, jornais, papeis vários, embalagens de carne e tantas outras relíquias que jaziam ao longo do passeio. A quantidade de lixo era tanta que até o miúdo conseguia encher mãos e mãos de tralhas e encher os sacos rapidamente. Também os sacos andavam pela rua, ao sabor do vento.

Terminada a limpeza, rumamos ao café mais simpático do bairro e o mais acolhedor, da cidade, para as crianças - Café do Monte - que estava desoladoramente vazio. Parecia que haviamos chegado às onze da manhã, até confirmei no relógio, mas não, estava certa, eram 13:00, hora de almoço. Comemos, brincamos com os legos e puzzles e seguimos viagem para a Junta de Freguesia onde a fila de desempregados para a "apresentação", era enorme: novos, velhos, mulheres, homens... havia de tudo.

Atravessamos o Largo da Graça, vazio sob o sol da tarde, cumprimentamos os idosos conhecidos que, todos os dias sentam no meio do Largo, entre carros fumarentos e electricos ruidosos, e descemos a Voz do Operário, numa luta constante com os carros estacionados no passeio, até que chegamos à Feira da Ladra.

A Feira estava estranhamente silenciosa, apesar do sol, havia mais venderores do que compradores e, quando assim é, reina um silêncio triste.

O mercado do Campo de Santa Clara, bem ao centro da Feira da Ladra, foi remodelado. No seu interior, está o Centro de Artes Culinárias, espaço lindissimo que organiza workshops, feiras temáticas e vende produtos nacionais artesanais e biológicos. Foi lá que comprei as peras secas mais deliciosas que já provei e é lá que, todas as terças-feiras, vamos buscar o cabaz de legumes do PROVE. No exterior estão as antigas lojas de velharias e antiguidades e, recentemente, abriram vários ateliêrs que incluem joalharia, olaria, costura e vabem bem uma visita. Infelizmente, hoje como em tantas outras terças-feiras, não se viam clientes.

Entramos no Jardim Boto Machado, para brincar no parque infantil, mas não foi possível ficar muito tempo pois, aquando da remodelação do jardim, o corte de árvores foi tão intensivo que o recém construído parque, ficou ao sol. O sol escaldante fazia cerrar os olhos e 20 minutos depois já sentia dores de cabeça. No Tejo, avistava-se um enorme veleiro. Ainda pensei em ir vê-lo de perto mas só me voltei a lembrar agora.

Atravessamos o Bairro das Mónicas, onde encontramos a lavandaria social fechada - da última vez que lá fomos por terem máquinas industriais para lavar cobertores, ficamos a saber que as máquinas insdustriais haviam há muito sido dubstituídas por máquinas "normais" e que as instalações estavam a dar prejuízo devido à falta de clientes e por isso iriam encerrar. Informaram-me que, para os lados da Calçada dos Barbadinhos abrira uma lavandiaria privada que competia com a lavandaria social e lhes havia "roubado" dos clientes. Ninguém o estranhará já que as máquinas da CML diminuiram de tamanho e os preços aumentaram vertiginosamente. Nestas circustâncias, qualquer provado se torna competitivo mas, claro, sempre muito mais caro do que o original serviço social. Em tempos, mulheres do bairro aproveitavam a abertura das instalações para "passar a ferro para fora" , o serviço era excelente, os preços bons e elas estavam ocupadas e com redimentos para os seus agregados extremamente pobres. Foram proibidas de trabalhar por a CML ter considerado que o que faziam era ilegal. Reparem que não a ajudaram a estabelecer-se por conta própria, não, proibiram-nas de trabalhar expulsando-as da lavandaria social.

A expulsão das trabalhadoras da lavandaria social fez-me arecordar uma história que me contaram recentemene. Para os lados da Penha de França, num quintal de R/Ch, uma Lisboeta tinha um galo e algumas galinhas. Incomodados com o ruído do galo, os vizinhos fizeram pressão para que a senhora dele se livrasse. Ela assim fez. Algum tempo depois, fizeram quixa à CML que obrigou a senhora a livrar-se de todas as galinhas. Segundo a CML, é ilegal ter galinhas em casa. Acabaram as galinhas e com elas acabaram os ovos, únicos ovos de qualidade que a "senhora das galinhas" e toda a sua família poderiam comer dados que não dispõem de recursos para os comprar nas lojas. O importante é que não haja barulho de galos e galinhas, desde que imperem ruídos mecânicos, tudo vai bem. Esta história das galinhas num quintal da Penha de França faz-me lembrar o Ensaio sobre a Cegueira. Se leram o livro sabem do que falo, se não leram, preparem-se emocionalmente e mergulhem, quando aparecerem as ganilhas e os quintais ficam logo a saber que associações estou a fazer com os vizinhos picuinhas da "senhora das galinhas".

Chegados à Rua da Verónica, que se divide entre horríveis prédios de 5 andares dos anos 60, com centenas de marquises, ruínas e espaços públicos/ institucionais (CML, Igreja, Companhia das Água, escolas) semi-abandonados oiu abandonados, entramos no carro e decidi ir para uma zona da cidade mais arejada.

Fomos visitar a Cristina Siopa para comprar umas tintas,  e já não em surpreendeu ver a loja tão vazia.

Regresso à Craça com passagem pela Penha de França, Almirante Reis, Anjos e Rua do Saldador onde vi vários ateliers interessantes e lojas de artesanato e/ou artigos em segunda mão com muita piada mas, sem clientes....

Não admira que se leia, pela cidade,
















Só que O MUNDO não é Vosso/ deles, é NOSSO!

Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

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