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Amamentar em público


Amamentar em público pode parecer complicado inicialmente, sentimo-nos pouco seguras, obervadas e toda a gente parece ter uma palavra a dizer sobre a forma como amamentamos, o tempo de amamentação, as qualidades nutricionais do leite, entre outros.

Passados os primeiros meses, especialmente quando se utiliza um porta bebés (
sling, pano, manduca...), a prática - tanto da mãe como do bebé, facilitam a amanentação em público que se torna simples e rápida.
A partir dos seis meses começam a surgir as vozes discordantes dos que acreditam que a amanentação prolongada é um vício, que o bebé vai ficar dependente e mal nutrido. Pelos oito meses as críticas intensificam-se e chegam-nos de profissionais de saúde, familiares, amigos, colegas de trabalho, desconhecidos. Há uma imensa sabedoria à solta, sempre contra a amanentação. Algumas, muito poucas, mulheres dão um sorriso complice ou uma piscadela de olho e, se tiverem oportunidade, contam-nos como também os seus rebentos mamavam muito.
 
A boa notícia é que, a partir dos 12 meses - mais ou menos - as almas horrorizadas com a amamentação prolongada já não se conseguem pronunciar e podemos continuar a amamentar sem conversas conflituosas e sermões.
Aqui ficam as incongruências que ouvi ao longo de 12 meses de amamentação - http://wantamiracle.blogspot.pt/2010/10/1-ano-de-conversas-sobre-amamentacao.html
 
Depois disso são poucas as anedotas a registar. O meu filho mama onde e como quer sem ninguém nos brindar com as suas opiniões.
 
Já ouvi várias mulheres que se diziam "fascinadas" por nunca terem visto "um menino tão grande a mamar" mas sempre com muita admiração e ternura. lembramos-lhes o tempo das suas avós, as histórias da sua família alargada, do tio que "perseguia a mãe com um banquinho" a pedir que se sentasse para "dar mama".

Sinto-me lisongeada por, em 2012, honrar as nossas ancestrais e nutrir fisica e emocionalmente o nosso filho, através da amamentação.

 Foto: Paying the Harvesters
1882 
Lhermitte, Leon Augustin (1844-1925)
oil on canvas
Musee d'Orsay, Paris, France
Out of copyright
Historic Photos & Prints of Breastfeeding - Lhermitte, Leon Augustin (1844-1925)

Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

1 comment:

  1. Há coisas que não entendo.
    Quando o meu filho era bebé e tinha fome eu (apesar de ser muito pudica mesmo) tirava a mama para fora e alimentava o rapaz.
    Tentava fazê-lo de forma discreta, o mais afastada de olhares alheios mas não iria deixar o meu filho passar fome só porque me iam ver a mama.

    Houvi alguns comentários infelizes. Até de uma "senhora" que agiu como se eu estivesse a tentar seduzir o homem dela (é que eu no Centro de Saúde com um bebé nos braços cheio de fome era mesmo o símbolo da sensualidade e mesmo que fosse, não tinha mais local nenhum onde me pudesse "refugiar" para amamentar no momento e o meu filho não ia passar fome)- coisa que o meu marido, que entretanto se deparou com a cena, lhe fez notar...

    Também me mete muita confusão o facto de as pessoas não quererem ter filhos porque "estraga o corpo"... quer dizer, a menos que façamos plasticas constantes o nosso corpo vai sempre alterar-se.

    O meu corpo modificou-se, claro. Os seios estão mais descaídos, tenho algumas estrias nos peitos, tenho anca mais larga... mas tenho um filho!

    E aos meus 25 anos fico perplexa com alguns comentários que ouço de pessoas da minha idade sobre o querer-ter-filhos-mas-não-querer-estragar-o-corpo.

    ps: infelizmente eu tive que parar de dar de mamar cedo apesar de ter muito leite pois o meu filho simplesmente deixou de "pegar" a mama (pois as enfermeiras mandaram-me dar sempre o suplemento em biberão e ele acabou por se recusar a mamar na mama -era mais dificil). Depois disse consegui, durante cerca de 4 meses, mante-lo a mamar somente leite do peito bombeado com a máquina mas depois tive mesmo que passar para o leite da farmácia. E aí sim, pela primeira vez, senti que tinha falhado e que não deveria ter dado ouvidos às enfermeiras pois o meu leite saciava-o completamente e ele crescia somente com ele.
    Elas queriam que eu me certificasse que ele estava cheio e, na realidade, acabaram por o incentivar a largar a mama (muito mais fácil mamar do biberão)

    *

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