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Lea e Jacob



(...)as mãos dele
ganharam vida. Vaguearam pela minha cara, pelo meu cabelo, e
depois, oh, pelos meus seios e pela minha barriga, pelas minhas
pernas e pelo meu sexo, que ele explorou com o mais leve dos
toques. Era como o toque de uma mãe a seguir os traços da orelha
da sua criança recém-nascida, uma sensação tão doce, que eu sorri.
Ele olhou para o meu prazer e assentiu com a cabeça. Ambos rimos.
E, então, Jacob falou com ternura à sua primeira mulher.
- O meu próprio pai raramente falava comigo, e parecia
preferir a companhia do meu irmão - sussurrou ele. - Mas, uma vez,
enquanto viajávamos, passamos por uma tenda onde um homem
batia numa mulher, esposa, concubina ou escrava, não havia
maneira de saber. Isaac, meu pai, suspirou e disse-me que
nunca tinha levado nenhuma mulher para a cama dele senão a
minha mãe, apesar de ela apenas lhe ter dado dois filhos pouco
tempo depois do casamento deles. Rebeca tinha-o recebido com
ternura e paixão quando se tinham casado, porque enquanto noivo
dela, ele tinha-a tratado como se ela fosse a Rainha do Céu e ele
fosse o consorte dela. A união deles era a união do mar e do céu, da
chuva e da terra seca. Da noite e do dia, do vento e da água. As
noites deles estavam cheias de estrelas e de suspiros, enquanto eles
interpretavam os papéis de deusa e de deus. As carícias deles
engendravam mil sonhos. Dormiam nos braços um do outro todas
as noites, exceto quando chegava o tempo de ela entrar na tenda
vermelha, ou quando ela amamentou os filhos. Foi isto que o meu
pai me ensinou acerca de maridos e mulheres - disse Jacob, meu pai,
a Lea, minha mãe, na primeira noite que passaram juntos. E, depois,
chorou pela perda do amor do pai dele.
Lea chorou também, por pena do marido dela, e também de
alívio e de alegria pela boa sorte que tinha. Ela sabia que a própria
mãe dela também tinha chorado na sua noite de núpcias, mas essas
lágrimas tinham sido lágrimas de desespero, pois Labão tinha sido
rude desde o inicio.

Lea beijou o marido. Ele beijou-a. Beijaram-se uma e outra
vez. E mesmo nessa primeira noite, quando tinha a carne tenra de
ser aberta por um homem, Lea respondeu ao toque dele. Ela gostava
do cheiro dele e da sensação que a barba lhe provocava na pele.
Quando ele entrou nela, ela fletiu as pernas e o sexo com uma
espécie de força que a surpreendeu e que, a ele, lhe agradou.
Quando Jacob gritou, no prazer final, foi inundada pela sensação do
poder que ela própria tinha. E quando ela seguiu a própria
respiração, descobriu o prazer próprio, uma abertura e um
preenchimento que a fizeram suspirar e ronronar e, depois, dormir
como não dormia desde criança. Ele chamou-lhe Innana. Ela
chamou-lhe Baal, Irmão-amante de Ishtar.
Deixaram-nos a sós durante todos os sete dias e sete noites.
Levavam-lhes comida, ao amanhecer e ao anoitecer, e eles comiam
com a fome insaciável dos amantes. Pelo final da semana, tinham
feito amor a todas as horas do dia e da noite. Estavam certos de ter
inventado mil novos métodos de dar e de receber prazer. Tinham
dormido nos braços um do outro. (...)

A Tenda Vermelha, Anita Diamant
 
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