A Nossa História

É Primavera, tempo de limpeza, cura e renovação, o momento ideal para reavivar a memória, reflectir para aprender com a experiência e lançar sementes para o futuro.
A minha missão, o meu propósito de vida, é de construir um quotidiano de tranquilidade e saúde onde a alegria e a aprendizagem possam florescer. Nada existe de mais singelo e, ao mesmo tempo, mais complexo. Quando descobrimos que estava grávida do meu primeiro filho, tinha acabado de me despedir de um emprego estável e bem remunerado, na minha área de formação - sociologia - e estava com visto e passaporte preparados para uma viagem de 3 meses à Índia. O objectivo era conhecer outras partes do mundo e voltar enriquecida e com novas perspectivas profissionais. Mas, eu não consegui embarcar no avião que me levaria além-mar porque os enjoos e fraqueza eram tão arrebatadores que fui obrigada a ir ao hospital. Mal eu sabia, entretida que andava a fazer pequenas malas e grandes planos, que a maior aventura da minha vida acabava de começar e o palco era eu, o meu corpo e a minha relação com o pai da criança que crescia no meu ventre.
No início da gestação conheci um sem fim de dúvidas e perplexidades: como é que eu iria ser capaz de criar um filho sem ter emprego? Onde iria buscar o dinheiro? Quanto custariam as fraldas, e o leite em pó e as amas e creches e escolas? E o quarto para o bebé, como o fazer num apartamento citadino e pequeno como o nosso? Como iria suplantar os problemas de saúde que sempre me atormentaram, e se pioravam com a gestação? E o menino, se adoecia, como iria pagar um pediatra? Como é que eu iria conseguir dar à luz se é algo tão avassalador e doloroso? E amamentar, como é que isso de faz? E agora, como é que iria terminar o doutoramento? E todos os meus outros sonhos, o que seria deles, com um bebé nos braços?
Na altura - e ainda hoje tendo a cair nesta urgência - queria soluções definitivas para todas as interrogações e não as encontrava entre os meus pares e/ou profissionais com os quais estava a lidar. Pensava eu que era urgente construir a mãe que viria a ser e, para isso, precisava de um milagre. Mas, não sendo de ficar sem respostas, ou de esperar por intervenção divina, dei inicio a um percurso de pesquisas que, sem eu me aperceber, se tornaram numa profunda aprendizagem sobre mim, sobre o meu corpo físico, mental, emocional e espiritual. Foi no meio do furacão de descobertas que criei o blog www.wantamiracle.blogspot.com e só muito mais tarde, com o nascimento da minha segunda filha, é que percebi que já não precisava de um milagre porque, o milagre somos nós... A maternidade tornou-se, para mim, uma forma de activismo que passa tanto pela contribuição para a redefinição do lugar e papel da mulher-mãe na sociedade, como pela promoção da liberdade de escolha informada no que diz respeito à sexualidade, concepção, gestação, parto, amamentação, ciclo menstrual, alimentação, cuidados de saúde, educação das nossas crianças de forma alegre, tranquila. Acredito que, ao mudar a minha forma viver a feminilidade, a minha forma de estar no mundo, e a forma como educo e nutro as minhas crianças, estou a mudar o mundo. Ao escolher não voltar ao mercado de trabalho, e ficar em casa com os meus filhos, prescindindo do doutoramento e da carreira profissional, quebrei a cadeia de acontecimentos que, de acordo com o esteriótipo de sucesso em vigor, me levariam ao auge. Não raras vezes me perguntam “o que faço” insistem em não acreditar na resposta “sou só mãe”, instituições, desconhecidos, amigos, ex-colegas de escola e trabalho, familiares precisam de algo mais para me validar enquanto pessoa. Não temos o valor do nosso cargo e/ou salário, eu descobri essa verdade com a maternidade, algumas pessoas descobriram-no através de mim. Foi também porque fiquei em casa com as crianças que tive oportunidade de dedicar o meu tempo e a minha atenção a mim, a nós e às temáticas que apresento no blog e nesta página. Em oito anos passei de solteira a mãe de dois, de assustada com o parto e melindrada pelos médicos e seus disgnósticos e práticas, a uma experiência de parto em casa e na água que transformou as nossas vidas, de preocupada com o preço do leite em pó, a mãe que amamenta ao peito, em exclusivo e em livre demanda. Em menos de uma década, deixei de estar profissionalmente envolta na problemática da conciliação entre a vida familiar e a vida profissional, para passar a ser mãe a tempo inteiro e deixei de dar formação a adultos, dentro e fora da faculdade, on-line e presencial, em Portugal e no Estrangeiro para me didicar ao meu percurso de mãe em ensino doméstico. Em tão pouco tempo, e devido Às minha escolhas alimentares e de estilo de vida, desapareceram maleitas digestivas, de pele e respiratórias que me acompanharam nos 35 anos anteriores e que já se consideravam crónicas, tenho sido também capaz de estender este estado de equilibrio aos meus filhos... é um estado de empoderamento, de auto-valorização que me era desconhecido e que agora faz parte de mim. À medida que as crianças crescem, e necessitam de menos atenção constante, estou a recuperar os meus sonhos que são agora mais ricos porque vividos a quatro.
Formei-me como doula, aprendi muito sobre amamentação, sobre parentalidade consciente, estudei cristaloterapia, homeopatia, tornei-me conselheira em óleos essenciais da doTERRA, aproveito todos os momentos para estudar mais sobre todas as temáticas que me apaixonam e apoiar outras mulheres a traçar o seu caminho, seja ele semelhante ao meu, ou não, sejam elas mães, ou não. Acabei por construir um percurso profissional inesperado, em consonância com os meus valores e crenças e que não só me dá muita liberdade para me continuar a dedicar a mim e aos meus, como passa exactamente por essa imersão na família.
O mais importante deste meu percurso, foi compreender que não existem soluções definitivas e rápidas que nos possam ser dadas externamente. A mudança é interna e faz-se com tempo, trabalho, amor próprio e pelo próximo, comprometimento, verdade, um infinito de pequenas escolhas, que fazemos todos os dias e a aceitação de que não há felicidade que sempre dure, a vida vai sempre ter altos e baixos, o importante não é viver em estado de felicidade permanente mas ser capaz de conhecer os mecanismos internos e os suportes externos a que podemos recorrer, no dia a dia, para responder às adversidades. Espero poder partilhar um pouco mais deste percurso contigo, não porque tenho todas as respostas - já passei uma fase de militância da maternidade natural e feminilidade consciente com a qual já não me identifico - mas porque, juntas, podemos construir novos caminhos de transformação e, não menos importante, criar novos milagres.
Até breve
Gratidão ¸.••.¸Paz¸.••.¸Amor¸.••.¸Saúde¸.••.¸ Sabedoria¸ •.¸Prazer¸.••.¸Alegria¸.••.¸Vida

No comments:

Post a Comment