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Aprender com prazer - poesia

" I am fond of poetry and know quite a lot of it. When our daughter was little, I used it to put her to sleep. Sometime thereafter we were driving somewhere at night and heard a small voice from the back seat reciting "Lars Porsena of Clusium, by the nine gods he swore"—the opening lines of "Horatius at the Bridge"—in a a two year old’s lisp. She now knows quite a lot more poetry. When I put my son to bed—my wife and I take turns—we generally talk for a while, then he asks for some poems."

http://daviddfriedman.blogspot.pt/2007/12/home-unschooling-practice.html

Ultrapasar a náusea existencialista (ainda a vida numa escala sobre-humana e Lisboa e os filhos e, e,e...)

Depois de algumas horas de sono, concluí que tenho 3 hipóteses:


Hipótese 1 - fazer de conta que não vejo nada do que disse anteriormente e continuar a ser parte integrante do que penso estar mal;

Hipótese 2 - manter o estado de náusea existencialista e continuar a criticar, isolar-me no meu canto com as únicas consequências de talvez alertar alguns espíritos mais incautos e reforçar o mal estar de quem, como eu, faz este tipo de reflexões;

Hipótese 3 - participar activamamente na construção de uma comunidade (como esta das mães em transição, como a do ensino semi-doméstico, como a cooperativa de jantares que começo para a semana, como a construção de uma casa para co-working de mamãs onde possamos trabalhar e ter os nossos filhos ao mesmo tempo... e tantas outras coisas que podem surgir.

Definitivamente, exceptuando os momentos em que a indignação supera a minha força construtiva, tenho-me inclinado mais para a terceira hipótese.

Neste momento deparo-me com um desafio entre (tantos hi, hi,: tenho as ideias, a vontade, o grupo... mas falta-me o espaço físico onde desenvolver tudo isto.

Passo a explicar, para pôr tudo isto em marcha necessito de tempo efectivo de trabalho, de reuniões, de computador e o meu filho não vai ficar sentado à espera que eu faça tudo isso.

Falta-me uma casa, onde possa, com outras mães trabalhar e partilhar os cuidados às nossas crianças. Uma casa com jardim onde os miúdos andem à solta, dentro e fora, a brincar em conjunto, sempre com um olho adulto por perto e onde nós possamos estar a trabalhar. Isto é quase non sense porque o trabalho em que me quero envolver mais activamente é exactamente na construção desta casa para a cidade de Lisboa.

Estão a ver o meu dilema? Quero construir uma casa da qual necessito agora para me poder dedicar a construí-la!!!!! grrrrrrrrr.... quem tem por aí uma casa com jardim que nos dispense até a CML nos dar a Casa definitiva?

A escola Pública


O ensino público pode ser muitíssimo melhor do que as escolas privadas caríssimas. Tudo depende de como os pais o encaram. A minha perspetiva sobre esse maravilhoso recurso mudou radicalmente desde que li este texto Public School on Your Own Terms



Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

Outra vez a escola..... é duro mas vale a pena ver.

Talvez porque me sinto esticada entre a docência e o desejo de unschooling.

Talvez porque esteja na hora de começar a preparar as aulas do próximo semestre.

Talvez porque começo a ter que explicar porque é que o meu filho ainda não está no jardim de infância.

Talvez porque eu sou filha do sistema escolar que temos e ainda não me desescolarizei o suficiente.

Talvez porque ainda estou a sofrer as consequências do "adestramento canino" e, tantas vezes, acabo por o impor aos meus alunos...

Talvez por tudo isto ou por nada isto. talvez porque hoje estou verdadeiramente sensível...

este vídeo revolve-me as entranhas e dá-me dores no peito.

Aqui fica



Espero que vos cause menos dor do que a mim.

Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

Opostos complementares?

 Como é que se concilia isto,


 " For children to learn from the world around them, the world around them should be merrily available, musically and colorfully accessible, it should feel good and taste good. They should have safety and choices and smiles and laughter." (Sandra Dodd - http://sandradodd.com/nest )



 com isto?


http://womantalk.wordpress.com/






Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

O ensino doméstico e a violência

Provavelmente há tantos motivos para optar pelo ensino doméstico (ED) quantas as famílias em ED mas o que nunca me tinha passado pela cabeça é que haja quem tire os filhos da escola para os poder disciplinar com recurso a violência física.

"Tirar filhos da escola porque nos dá a sensação de que a casa é mais segura contra determinados perigos (a violência do mundo, a falta de religiosidade, a liberalidade mundana, etc.), pode ser um sintoma de que algo na nossa constituição adulta não está bem resolvido. Isto pode manifestar-se claramente ao idealizar a casa como uma forma de nicho separado do mundo, um ninho de salvação, um lugar para cultivar uma eterna inocência, um espaço para afastar-se do mal. Qualquer uma desta premissas inconscientes torna a casa-escola uma prisão e a criança a viverá como uma experiência de repressão na qual o pai e ou a mãe se colocam como continentes absolutos. Uma geografia afetiva e cognitiva intransponível.

Uma manifestação concreta desse tipo de funcionamento se dá na defesa da educação em casa aliada ao direito da "disciplina física" nos casos de desobediência por parte dos filhos. Em outras palavras, na defesa do castigo corporal e psicológico como instrumento educacional. "


Fonte:
http://desescolariza.blogspot.com/2012/02/compulsao-educar.html

Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

ainda sobre a escola inclusiva, os bebés, as crianças e suas necessidades...

Em tempos escrevi que não acredito na escola inclusiva, que é um paradoxo, que a própria instituição escola, para funcionar, viola os princípios da inclusão.

Podemos "abordar a escola numa perspectiva inclusiva" mas esbarramos no facto de a escola isolar as crianças e jovens , entre pares, excluindo-os do todo social que é a comunidade (ou que esta deveria ser porque quem tem crianças, nesta Europa do Século XXI, e se movimenta, de 2ª a 6ª,  fora das escolas e dos locais de trabalho, duvida que ainda existam vestígios de interacção comunitária).

Quem ainda tem dúvidas da difculdade que representa a abordagem inclusiva da escola, pode deliciar-se a ler:

 "A inclusão em educação implica:
• Valorizar, igualmente, todos os alunos e todo o pessoal.
• Aumentar a participação e reduzir a exclusão dos alunos das culturas, currículos e
comunidades das escolas locais.
• Reestruturar as políticas, culturas e práticas nas escolas, de forma que estas
respondam à diversidade dos alunos da localidade.
• Reduzir as barreiras à aprendizagem e à participação de todos os alunos, não
somente aos que têm deficiências ou que são categorizados como tendo “necessidades
educativas especiais”.
• Utilizar as estratégias adoptadas para ultrapassar as barreiras ao acesso e à
participação com que alguns alunos se deparam, de modo a que estas venham a
beneficiar duma forma mais geral, todos os alunos.
• Olhar para as diferenças entre os alunos como recursos de apoio à aprendizagem, em
vez de as considerar como problemas a resolver.
• Reconhecer o direito dos alunos a serem educados na sua localidade de residência.
• Desenvolver as escolas considerando os seus profissionais, bem como os alunos.
• Sublinhar o papel das escolas na construção das comunidades e no desenvolvimento
dos valores, bem como no aumento do sucesso da aprendizagem.
• Incentivar as relações mútuas, entre escolas e comunidades.
• Reconhecer que a inclusão na educação é um dos aspectos da inclusão na sociedade. "

Fonte: http://redeinclusao.web.ua.pt/files/fl_79.pdf

Eu conheço poucas famílias capazes de respeitar as suas crianças ao ponto verem as suas diferenças e especificidades como mais valias em vez de "problemas a resolver", mesmo nas famílias em que existe apenas uma criança. Imagine-se como fazer isto com 800, 900, milhares de crianças juntas? E com a obrigatoriedade de ensinar (obrigar a decorar) os curricula em sequências de 45 minutos intervaladas pelo "arruma a mochila e corre para a nova sala que vem aí mais 45 minutos de seca".

Aliás, as crianças, na nossa sociedade, parecem ser sempre um problema a resolver. Até nos meios mais holísticos em que o bebé é visto como um ser perfeito que deve ser recebido em paz (parto natural), que conhece as suas necessidades, sabe expressa-las e tem direito a vê-las respondidas (mamar em livre demanda, co-sleeping, colo ...), assim que se passa de bebé a criança (e isto varia consoante a pressa dos pais, logo pode ser algures entre os 6 meses e os .....), acabam-se so privilégios, acaba-se a sabedoria inata e há que ensinar, regular, domar a criança de forma a que cumpra as expectativas de quem a "educa".

Mas, não era sobre isto que queria escrever (ou, talvez fosse e por isso está aqui) , queria escrever que gostei de ler o texto do Eduardo Sá e que acredito que sim, é bom viver para o invisível (mais do que educar).

Também gostei de ler que "  uma escola amiga da sabedoria será, ao mesmo tempo, universidade e jardim-de-infância" porque guetos já temos muitos e há muitos séculos, é sempre bom ler sobre liberdade.


Quanto às definições de inclusão e integração, aconselho quem queira aprofundar o tema, a fazer umas pesquisas adicionais. Para inclusão em contexto escolar, o Index é a obra de referência, quanto às diferenças entre integrar e incluir, em meio escolar, este texto pode ser interessante.

Cada vez este blog se centra menos em mamãs, bebés, crianças, educação, porque cada vez as minhas opiniões, nesta e noutras matérias, são divergentes, divergem mesmo dos que sempre se sentiram a  divergir.

Até o nosso filho ter cerca de dois anos, encontrava eco nos meios mais holísticos, actualmente, já nem a anarquia me acolhe (pois de tão anti-política se tornou excessivamente politizada para mim)... procuro novos horizontes e tenho-me perdido - e encontrado - por aqui



Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

Sobre a escola inclusiva

A própria organização social faz com que o sistema escolar seja uma permanente implosão que não é capaz de responder às necessidades individuais.

A escola não existe para dar respostas aos alunos, a escolha existe para libertar mão de obra para o trabalho.

As famílias não procuram a escola como meio de aprendizagem, as famílias procuram a escola como a única forma de transmissão de conhecimento e como forma de se libertarem da aducação dos filhos para ficarem livres para as exigências do mercado de trabalho.

Sem trabalho não há consumo, sem consumo não há sobrevivência.

Em pleno século XXI, a escola colmata uma necessidade básica associada à sobrevivência das famílias.

Quando se está em "modo de sobrevivência" não se responde às necessidades que formam o topo da pirâmide.

No ser humano em desenvolvimento, auto-realização, auto-estima, entre outras necessidades, requerem contacto permanente com um cuidador principal e convívio inter-geracional.

A escola constitui um meio totalmente desfasado da vivência comunitária.

A própria concentração populacional e segregação espacial (e funcional) que caracteriza a ocupação do espaço, leva a à sobrelotação das escolas e das turmas.

Todas as estratégias pedagócicas e inclusivas podem ser boas quando as crianças aprendem em comunidade, em contexto. Todas as estratégias pedagógicas e inclusivas tendem a falhar quando se confina, artificialmente, n crianças, num espaço fechado, com apenas um adulto, durante toa a sua vida (dos 6 meses aos 23 anos.... ou mais).

As crianças vivem e crescem entre pares, os jovens vivem e crescem entre pares, os adultos que as acompanham pouco mais podem fazer do que assumir um papel orientador. Não há lugar para a aprendizagem em contexto, para a aprendizagem por imitação que caracterizou a aprendizagem do homo sapiens ao longo de milhões de anos.

A aprendizagem pode-se dar em qualquer contexto, não é necessária a escola para que o ser humano aprenda. A história da humanidade é a prova disso, todos nós, com as nossas multiplas aprendizagens À margem do sistema escolar somos a prova disso.

A escola, por definição, exclui, exclui as crianças e os jovens da vida familiar, dos espaços públicos, do dia-a-dia. Nas nossas vidas não há crianças, estão segregadas na escola em nome da produção e do consumo.

Neste contexto, há quem trabalhe muito para tornar o dia-a-dia escolar mais inclusivo. Esse trabalho é admirável mas esbarra sempre na mais dura realidade: a nossa organização social exclui as crianças. A infância é um entrave à produção e tem que ser confinada. O apelidado desenvolvimento da pó-modernidade é uma miragem. Não há lugar para desenvolvimento quando de exclui o futuro.

Felizmente, em todo o lado, há sinais de mudança.
A ciência fornece evidências para todos os gostos, basta saber procurar:
http://www.nytimes.com/2011/09/25/opinion/sunday/dont-delay-your-kindergartners-start.html?_r=2&src=tp&smid=fb-share

Procuro pais que queiram construir um projecto educativo comunitário

Não conheço, em Lisboa, nenhum projecto educativo comunitário. Sim, daqueles que existem por ai:
X nº de famílias junta-se, procuram um espaço (de preferência com fácil acesso de transportes e com jardim), pagam a renda e as despesas correntes desse espaço e constroem um projecto educativo que sirva as suas necessidades. 
Como? Ora, trabalhando para isso, dando o seu tempo e amor de forma colaborativa.
 

Melhor do que as creches e amas porque...

 - é  mais barato do que uma creche e, sem dúvida, mais barato do que uma ama (começo por estas por ser um facto importante para muita gente. Infelizmente, é o mais importante para gente demais);
-  as crianças não ficam isoladas, em casa, como acontece com as amas ao domicílio;
- as crianças não ficam aglutinadas em apartamentos, todo o dia, a palrar com crianças da mesma idade e sob a supervisão de apenas 1 (com sorte 2) adulto, como acontece com as amas profissionais que recebem até (ou é no mínimo?) 5 crianças;
- as crianças não ficam aglutinadas em espaços públicos artificiais, cobertos de linóleos e cores berrantes à mercê da bicharada, da tv...;
- as crianças não passam o dia inteiro entre pares - crianças da mesma idade;
..... (há mais mas estou com pressa LOL)

Como funciona um projecto educativo comunitário?

Como já disse acima, um conjunto da famílias junta-se, procura uma casa com jardim, paga as despesas de manutenção e abre a casa, todos os dias da semana, para aí permanecer em actividades pensadas e implementadas por pais e crianças para pais e crianças. Pais e filhos cozinham juntos, almoçam e lancham juntos e enquanto uns brincam (em brincadeiras livres ou orientadas) os outros podem trabalhar.

A gestão das actividades e as brincadeiras com as crianças, podem estar sempre a cargo dos mesmos adultos (para tal terão que ser remunerados) ou podem ser partilhadas entre pais (que, para tal, terão que dispor de tempo para o projecto).

O objectivo não é que que as crianças fiquem no projecto educativo, todo o dia, sem a presença dos seus pais (não é uma creche ou escola) mas que estejam em comunidade e com os seus pais mas, se tiver que ser, também se procura uma solução.

Para que idades?

Para todas as idades desde que os pais tenham vontade de construir em vez de se adaptarem ao que a rede "mainstream" nos oferece.

Este tipo de projecto pode ser  importante para mamãs em licença de maternidade (0 aos 2 anos e 9 meses que é o max que a lei permite, por enquanto) que ficam geralmente fechadas em casa.

Torna-se ainda mais útil para recém-mamãs com mais do que 1 filho pois podem gozar a licença de maternidade tendo os 2, ou 3, ou 5 filhos consigo sem ter que ficar isoladas num apartamento entre um bebé que dorme e mama e uma criança que se aborrece por não ter com quem brincar.

É também uma solução para as crianças em ensino doméstico/unschooling (+6) que podem assim contar com um espaço de aprendizagem comunitário, com crianças de todas as idades e vários adultos que partilham os seus saberes.

Imagino uma coisa pequena, max 10 famílias  e já estamos a falar de um projecto bem consolidado. para arrancar teriam que ser, no máximo, umas 5 famílias. 

Até agora, encontrei muita gente que adoraria contar com uma estrutura deste género mas que não está disponível para a construir.

Ninguém se quer lançar a fazer isto comigo?

Sinto uma imensa frustração por ver que as pessoas dizem necessitar condições de vida diferentes e que permitam uma vivência familiar mais confortável, mais comunitária mas não se atrevem a construir algo que responda a essas necessidades. Quantos de vocês não deseja para si e para as suas crianças:
- uma casa maior?
- uma casa com jardim?
- uma horta para os vegetais?
- uma casa quentinha no inverno e fresquinha no verão, 24 h por dia;
- uma casa perto de um jardim onde haja outras crianças?
- almoços e jantares saudáveis e feitos por outra pessoa?
- ir a uma reunião, ir trabalhar sem ter que se preocupar com quem fica o filho (ou filhos)?
- trabalhar no mesmo espaço físico que os filhos estando eles entretidos com outras crianças/pessoas?
- ter muitos brinquedos que sejam capazes de entreter os miúdos por muito tempo;
- escolher a melhor ama, a melhor creche, a melhor escola, os melhores professores.... 
..... há muito mais.. muito mais coisas que quase todos nós dizemos querer....

algumas famílias encontram soluções para tudo isto:

- compram uma casa maior e matam-se a trabalhar para a pagar. Agora cada um dos putos tem o seu quarto mas não tem pai e mãe porque estes tem que trabalhar dia e noite para os pagar;
- compram uma casa com jardim que, com sorte, é utilizado uma vez por semana;
- compram e mantém ar condicionado e aquecimento central que lhes mantém a casa quentinha no inverno e fresquinha no verão, 24 h por dia; - mandam construir (no jardim) uma horta para os vegetais mas só lá crescem ervas porque não há tempo para mais;
- compram uma casa perto de um jardim onde há parques infantis e esperam que os pais das outras crianças tenham tempo para as levar para lá. Talvez andem tão ou mais atarefados do que eles próprios. Ou talvez nem consigam decidir se ficam  no seu jardim ou neste outro jardim do bairro.... pena que não se pode comprar jardins já com crianças incorporadas. E das que não arrancam brinquedos nem empurram os nossos putos SFF;
- pagam uma empregada/ama que faz os almoços e jantares e comem, todos os dias em casa;
- pagam a ama ou babysitter que fica com os miúdos e cujas referências chegaram via tia da prima da vizinha do lado e confia-se que sim, vai correr tudo bem;
- com sorte, conseguem trabalhar no mesmo espaço físico que os filho, durante as sestas ou enfiando-os num parque a ver tv; 
- compram muitos brinquedos que nunca são cpazes de entreter os miúdos por tanto temo como o desejado porque o que entretém os miúdos são as pessoas que brincam com eles utilizando os brinquedos e não os objectos per si (chegará o dia em que os miúdos serão tão agarrados aos objectos como os seus pais mas isso são outras conversas);
- escolhem a melhor ama, a melhor creche, a melhor escola, os melhores professores.... e pagam, pagam, pagam o que só o outro, só o caro (preferencialmente com nome estrangeiro) pode fazer pelos seus filhos porque eles não são capazes ou não podem porque tem que trabalhar (o cúmulo é a educadora de infância que gana dinheiro à custa dos filos dos outros enquanto alguém ganha dinheiro à custa dos seus. Sim, é "à custa de ... mas sobre isso escrevo outro dia) 

Tudo soluções viáveis, tudo soluções dentro da norma, tudo soluções que nos trouxeram até o actual estado das coisas: O desastre da família nuclear, o isolamento, o individualismo, as crianças e jovens orientados pelos pares, a fugir a 7 pés de todos os adultos, "viciados" em tv e jogos, incompreensíveis (dizem os pais) e incompreendidos (dizem eles). 

Apesar de todas as evidências, preservaramos neste modelo falido, caduco e que nos está a pôr doentes. 

Criar um espaço conjunto que nos dê a casa, o jardim, as crianças, a alimentação, o conforto do fresco no verão, e calor no inverno, a companhia, a partilha dos cuidados e das aprendizagens? Não, isso dá muito trabalho! Trabalhar dia e noite para pagar todas as porcarias que referi antes é muito mais importante e, acima de tudo, estarei a trabalhar para mim, a minha casa, o meu jardim, a minha horta, o meu ar condicionado.... o meu isolamento, o isolamento dos meus....

E não me venham dizer que antigamente era pior. Para quem ainda não se apercebeu, existe um antigamente "mais antigo" do que o modelo social em que vivemos nos últimos 150 anos. E, nem todos os modelos sociais são iguais ao nosso. Existem outras formas de viver, é possível e desejável criar em comunidade. 
Parece simples não é? É fácil concordar que outro modelo é possível. É fácil concordar que podemos construir um projecto educativo em conjunto. Então porque é que não acontece? Porque é que ninguém quer arriscar?

Já me passaram várias hipóteses pela cabeça:
-  dizem que gostavam de ter, nos bairros, onde vivem espaços assim e assado mas é mentira;
- tem falta de auto-estima (mercê de infâncias de isolamento e restrições que nem eles próprios reconhecem terem provocado danos) e acreditam mesmo que não são capazes de empreender o que quer que seja e por isso inventam desculpas (inconscientes ou não): não vai funcionar, é difícil etc... a que eu gosto mais é "é caro" sim, porque as casas com jardins e os carros e os 1001 gadjets são grátis);
-tem preguiça e querem tudo feito por 3ªs. Como somos um país de preguiçosos, estamos todos à espera;
- gostam de se lamentar e do queixume. Se constroem as respostas já não se pode queixar;
- não se conhecem e não conhecem as suas reais necessidades e por isso continuam a tentar suprir o mal estar através do ter (comprar, comprar, comprar);
 .. (devem existir mais mas não me recordo)


Se calhar só não perguntei às pessoas certas?

eu sei que o pessoal tem que trabalhar, nestes casos, não se poderia pagar a alguém para estar no projecto educativo, com os miúdos a desenvolver actividades em vez de eles estarem sozinhos em casa com uma ama? Entre todos deve sair mais barato do que o somatório das amas e das casas com ar condicionado etc... que estão agora a pagar.

Também sei que as mães que estão em casa com os filhos não tem dinheiro para investir mas tem cabeça, braços e tempo para trabalhar, ou não? Não se consegue aproveitar esses recursos? Olhem, até podem receber o dinheiro das que trabalham todo  dia e toma conta do putos delas.

Digam-me lá a verdade, porque é que to não se faz? Porque é que existe em tantos outros países mas não em Portugal? 

Não me digam que é porque há pouca gente suficientemente altruísta para dispensar umas horas do seu dia a fazer algo mais que não seja olhar para o seu umbigo. Ainda dizem que o problema de Portugal são os políticos.





Vinculação materna versus endeusamento do trabalho

e se a ideia de que faz bem às crianças ir socializar para o infantário for só mais um mito dos tempos modernos? desculpem se isto soa a provocação e não quero aumentar a angustia de ninguém. Até porque não tenho nada contra os berçários, creches, infantários e muito menos contra quem lá trabalha.


O meu problema é com a institucionalização do ser humano em nome da escravatura do triângulo trabalho/dinheiro/consumo. Recuso-me a aceitar que só existo enquanto consumidora, logo, enquanto alguém que trabalha de forma remunerada para poder consumir. Recuso-me a criar os meus filhos para serem normalizados e se tornarem em bons trabalhadores/consumidores.


Posto isto, todas as instituições perdem a sua razão de ser, berçários, infantários, creches, escolas, faculdades etc... incluídas. Recuso-me a aceitar que ser human@ não é mais do que calcorrear as instituições da vida, do berçário, infantário, creche, pré-primária, primária, liceu, secundária, faculdade, trabalho, lar de 3ª idade, cemitério. Quem se desvia da sacrossanta instituição está em falta, vale menos...

Claro que depois escrevo estas coisas com um aperto no coração porque ainda não tenho solução para a equação e porque também há muitos dias em que os meus sonhos são terraplanados pela realidade e tremo de medo do percurso em que acredito.


Se eu sou utópica? Sim, sou mas porque não acreditar numa nova utopia? Se conseguimos chegar à utopia disfuncional e escravizante em que vivemos, porque não conseguiremos chegar a uma mais humana, onde, por exemplo, mães e bebés não sejam separados em sofrimento em nome da produção e do dinheiro?


No dia em que a mãe e o bebé estão prontos para se separar, fazem-no sem sofrimento.


Custa-me também muito saber que continuamos a negar os efeitos nefastos que a forma como nós mesmas fomos acolhidas no mundo (parto) e cuidadas desde o primeiro segundo de vida, nos influenciou. Enquanto os adultos não reconhecerem que andam a vida toda a nutrir a "criança interior", a tentar ultrapassar as suas imitações, falta e de auto-estima, falta de alegria, porque a criança real que foram foi vítima das crenças individualistas de uma sociedade que valoriza mais o TER do que o SER, não vamos ter a coragem de mudar o paradigma.


Só porque toda a gente diz e faz de determinada maneira, isso não significa que esteja certo. Aliás, porque as duas gerações anteriores disseram e fizeram de determinada maneira, não significa que esteja certo. Este modelo social (nascimento, parto e maternidade, cuidados à primeira infância e infância incluídos) já mostraram que são falíveis, já provaram que causam desagregação social, sofrimento, pobreza, doença (não me digam que as doenças se devem ao aumento da esperança média de vida porque, pela primeira vez da história da humanidade, ela está a diminuir) para quê insistir? Para quê calar a voz interior que nos diz que algo não está bem? Para quê subjugar-me à maioria se é uma maioria infeliz e atormentada, agarrada ao supérfluo, ao fútil?



Não quero com isto dizer que vamos todas por uma venda nos olhos, tapar os ouvidos e ficar cegamente, em casa, agarradas aos nossos miúdos mas também me custa saber que as mulheres do mundo continuem a a ser mutiladas em silêncio (e não apenas no sentido figurado) ou a minimizar o sofrimento que sentem não admitindo a si mesmas que merecem mais e melhor.



Ah, e não me venham dizer "eu gosto muito do meu trabalho" que eu também tenho muitos trabalhos de que gosto muito mas isso não significa que me apeteça faze-lo todos os dias, no mesmo sítio, cumprindo os mesmos horários, com as mesmas pessoas, da mesma maneira e tendo como fim último a remuneração auferida.



Nem me venham dizer que o oposto do modelo actual baseado no trabalho é o caos e o ócio porque também não é verdade.

por Want a Miracle a Domingo, 27 de Fevereiro de 2011 às 12:34

Viver e aprender a viver.

Idealmente não existiram creches. Para mim, o ideal ser viver numa sociedade construída à escala humana, onde os bebés e crianças são bem-vindos e acompanham os adultos em todas as suas tarefas.

O que vejo é uma sociedade construída numa escala sobre-humana, onde tudo é perigoso, onde os objectos são mais importantes do que as crianças, onde é quase impossível fazer-mo-nos acompanhar dos nossos filhos no dia-a-dia, onde o trabalho/consumo/dinheiro marcam as regras do mundo dos adultos (ou das pessoas ditas em idade activa) e todos os que não são capazes de produzir são expulsos para ambientes artificiais onde ficam confinados entre pares. Das crianças pequenas dizemos que estão a socializar, das mais crescidas que estão a aprender. A aprender o quê? A aprender a viver? que ironia não é, um mundo onde em vez de se viver se aprende a viver (quem disse isto, o John Holt?). Ou a aprender a ser mais caladas, mais subservientes, mais trabalhadoras, mais rentáveis?

Depois de n anos a socializar e a aprender entre miúdos da mesma idade, ficamos N anos confinados em empregos com pessoas da mesma idade para depois irmos descansar para outras instituições (lares, casas de repouso...) com mais pessoas da mesma idade.

Aos lares o meu sogro chamou de "salas de espera da morte". Pelo menos em relação a estes já não utilizamos eufemismos. São o mesmo que são as creches e as escolas mas como confinam quem já deu tudo o que tinha a dar para o triângulo da morte (trabalho/dinheiro/consumo) não há mais necessidade de engodos.

Pode ser por isto que tudo nas creches e nos infantários parece (ou parece a alguns)tão desajustado... mas isto sou só eu que, às 3 da manhã, já estou demasiado cáustica.

partilha que fiz no grupo Mães em Transição: https://www.facebook.com/?ref=logo#!/home.php?sk=group_141410039256299&ap=1