SISTEMA IMUNITÁRIO – ESSE GRANDE e ILUSTRE DESCONHECIDO ;-) Ou por que não devemos baixar a febre com medicamentos

Obrigada Bionascimento por este excelente documento

Cenas da vida de um pai/mãe:

“Mãe” – Sr. Doutor tenho o meu pequenino cheio de expectoração. Qual o remédio que lhe posso dar?

“Pai” – Querida, a nossa pequenina anda cheia de tosse e deve estar para aí com uns 38 de febre! Temos que ir com ela ao médico para lhe receitarem um antibiótico que de outra maneira isto não passa.

“Avó” – Filha, os meninos andam cheios de tosse. Deve ser daquelas viroses que apanham no colégio! A ver se lhes fazes um xarope daqueles com cenoura e açúcar. Depois se não passar dá-lhes “Bissolvon” que é o que eu vos dava quando tu eras pequena e a tosse não passava.

“Educadora” – Papás, o Carlinhos hoje teve 38,5º febre e démos-lhe o medicamento para baixar a febre. Sugerimos uma consulta ao médico para sabermos o que se passa de errado. Obrigada.

“Mãe” – Hoje a minha filha estava com febre. Aguentei até aos 39º porque dizem que a febre é nossa amiga mas aí já não consegui aguentar mais e tive que lhe dar algo para baixar a febre. Tenho muito medo da febre porque a minha mã disse-me que eu tive convulsões quando era pequena por causa de um ataque de febre!

Com certeza que todos os pais já passaram por pelo menos uma destas cenas.

Em três gerações (90 anos) passámos de um extremo – em que pouco ou nenhum acesso havia à medicina hospitalar, toda a gente sabia fazer “mezinhas” para curar quase tudo e havia confiança no poder de cura corpo porque “não havia outro remédio” mas também porque a doença era enfrentada com mais tranquilidade – para o extremo em que qualquer tosse ou espirro é motivo para vaticinar uma mais que certa constipação e o recurso a um medicamento de farmácia; em que temos a certeza que sem os medicamentos “não nos safamos” - .

Entregamos a responsabilidade do nosso bem-estar a psicólogos, psiquatras, ao governo, à entidade patronal e a dos nossos filhos indubitávelmende aos médicos que rigorosamente devem analisar periodicamente os nossos rebentos para verificar se tudo está bem e onde corremos, sem questionar nem tão pouco ponderar, a fazer “tudo o que o doutor mandou”.

Sendo filha de enfermeira e tendo algum à vontade com medicamentos, hospitais e afins, desde adulta que me habituei a ler as bulas antes de tomar qualquer medicamento; e sim esta era a única forma através da qual questionava o que respeitava à minha saúde pois tudo o resto eram “vacas sagradas”. E foi a ler uma bula que pela primeira vez me senti aborrecida com o facto de um médico dermatologista me ter receitado para uma espécie de acne pouco grave que tive no rosto um medicamento que comprei e mandei para o lixo ao ler a extensa e grave lista de efeitos secundários e que incluía inclusive fazer análises para ver como estavam os indicadores do fígado e não poder apanhar Sol durante 6 meses!!! Nesse momento percebi que os médicos não eram deuses, mas pessoas como nós que devíamos ter como aliados mas que, em último caso, quem era responsável pela minha saúde devia ser eu.

E assim continuei até ao momento em que fui mãe, e em que a insegurança me assolava no que respeitava à saúde da minha filha. Com o tempo e algumas leituras e conversas aprendi a observá-la e a escutá-la, passei a tentar recorrer ao máximo à medicina homeopática mas continuava sem saber o que fazia o meu, o seu, o nosso corpo todos os dias a todo o momento para nos defender dos diversos tipos de tentativas de intrusão a que estamos sujeitos 24 horas por dia.

Já depois dos 30 e depois de ser novamente mãe descobri finalmente o quão poderoso é o nosso corpo e o quanto nos devemos responsabilizar por o ajudar nesta sua tarefa diária de defesa – a 100%. Isto é tanto mais verdade quando falamos de crianças e bebés que estão literalmente a construir (ou debilitar) o seu sistema imunitário com a nossa ajuda e a das pessoas com quem decidimos (ou não) e com o nosso assumir de responsabilidade (ou não) partilhar a sua qualidade de vida ;-) . Se estamos sempre a dizer que acima de tudo o que deve sempre haver é Saúde, desafio-te a tornares-te responsável (responsabilidade = capacidade de responder), capacitad@ para responder à Saúde dos teus filhos e à tua própria saúde. Como o conhecimento (seja ele intrínseco ou adquirido) é o aliado por excelência da capacitação, escolhi partilhar alguns textos sobre como funciona o nosso sistema imunitário. ;-)

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1.

O nosso corpo está 24 horas por da a filtrar e expulsar elementos estranhhos que “teimam” em querer passar a fazer parte da nossa própria “colónia de bicharada”.

Para esta grande tarefa contamos, 24 horas por dia com :

Barreiras primárias

Físicas:

pelos das narinas e mucosas
pele
Químicas (produzidas pelo organismo)

saliva
gordura da pele (glândulas sebáceas)
cera do ouvido
muco presente nas mucosas e no trato respiratório
ph vaginal
ácido clorídrico do estômago
flora intestinal
Dinâmicas (participam na expulsão de substâncias indesejada):

movimentos peristálticos (toxinas, resíduos da digestão, excessos alimentares)
suor ( toxinas químicas e de metais pesados)
lágrimas (toxinas)
tosse (muco ou corpos estranhos)
espirros
http://www.netprof.pt/biologia_geologia/ppt/Imunidade_files/frame.htm

http://www.brasilescola.com/doencas/tosse.htm

http://pt.wikilingue.com/es/Barreiras_biol%C3%B3gicas

http://pat.feldman.com.br/?p=1403

http://www.ahealthyme.com/topic/childfever



Barreiras Secundárias

Fagocitose (glóbulos brancos devoradores de partículas estranhas)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fagocitose

Um litro de sangue humano contém cerca de seis mil milhões de fagócitos.



Barreiras Terciárias

Linfócitos - glóbulos brancos que produzem o anti-corpo (imuniglobulina) para cada tipo específico de invasor viral e/ou bacteriano (imunidade adquirida) e que eliminam células danificadas (imunidade inata).

http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/2974

http://www.americanacupuncture.com/immunity.htm#CIW

Leucócitos - glóbulos brancos presentes no sangue, linfa, órgãos linfóides e vários tecidos conjuntivos, com a função de combater microorganismos causadores de doenças por meio de sua captura ou da produção de anticorpos.



2.

Quando algum intruso passa as barreiras primárias, os principais actores do sistema imunitário são os glóbulos brancos.

Os glóbulos brancos são produzidos na medula óssea e preparam-se para a sua função uns nessa mesma medula e outros no Timo, originando diferentes tipos de glóbulos brancos.

O Timo é o grande professor dos glóbulos brancos formando grupos especializados para cada tipo de intrusos!

A partir daqui, toda a nossa estratégia de defesa passa pelo sistema linfático, para o qual contribuem:

O baço – o maior dos órgãos linfáticos. Controla, armazena e destrói células sanguíneas também as produzindo, sobretudo nas crianças. Produz e espalha glóbulos brancos. É um dos grandes promotores do bom funcionamento do sistema linfático.

O sistema linfático - um complexo sistema de vasos (a rede de águas) e gânglios linfáticos (as estações de tratamento da linfa) que têm a função de transportar e filtrar a linfa. A linfa é um líquido que contém glóbulos brancos e que vai drenar e limpar o líquido onde as nossas células estão mergulhadas e que as alimenta.
Existem também agrupamentos de tecido linfático que protegem certas membranas mucosas para patrulharem pontos estratégicos de entrada ou passagem como é o caso das amígdalas (que patrulham o que ingerimos e inalamos), dos adenóides (que patrulham o que inalamos e as secreções dos seios perinasais), das placas de peyer (que patrulham o que passa no intestino - sobretudo no delgado) e do famoso apêndice (que patrulha a passagem do intestino delgado para o grosso).

Acresce dizer que Timo (vem da palavra grega “thymus” que significa energia vital.



O QUE AJUDA O SISTEMA IMUNITÁRIO QUANDO HÁ INFECÇÕES VIRAIS E/OU BACTERIANAS:

Como complemento a este sistema de defesa do nosso corpo (que está em funcionamento constante), temos mais um grande aliado em processos mais complexos: A FEBRE

A Febre tem sido vista como um grande mal a combater a grande custo. Só com o verdadeiro conhecimento poderemos ultrapassar este medo que tanto mal tem trazido, sobretudo, ás nossas crianças pelo desconhecimento dos pais e ao fantástico marketing dos nossos dias!

Hipócrates disse : “Dê-me febre, e posso curar todas as doenças”

Não, não era tonto nem estava mal informado J. Este senhor sabia bem que quando a temperatura do nosso corpo aumenta (acima de 38 graus) a maior parte dos vírus e bactérias perde vitalidade sendo mais facilmente destruídos pelos glóbulos brancos.

A febre é causada por elementos pirogéneos (indutores da febre) e que podem ser internos ou externos. Os externos são por exemplo a LPS que é um componente da “pele” das bactérias. Os pirogéneos internos são fabricados pelos fagócitos.

Estes elementos são detectados pela glândula Hipófise (situada num local do cérebro denominado Hipotálamo) que despoleta a febre assim activando o nosso sistema imunitário criando no nosso corpo um meio “desagradável” para os invasores. A temperatura sobe até ao valor que o nosso corpo considera que deva subir de modo a proteger o corpo daquele invasor específico.

A febre e o mal estar que nos traz também ajudam a reduzir o nosso funcionamento corporal ao mínimo indispensável de modo a concentrar todas as forças no combate à doença!

Se estivermos saudáveis e dispostos o suficiente para deixar as coisas chegar a este ponto, os mecanismos geradores de calor poderão incluir:

Tremores (aumenta a temperatura do corpo)
A hormona TRH (estimula a tiróide, adaptando através desta o metabolismo do corpo à situação actual)
Vasoconstrição (produz arrepios que produzem calor) & supressão do suor.
Uma verdadeira sinfonia de respostas coordenadas respondem à febre

Os benefícios da febre

Mais anticorpos – a febre aumenta mais a produção dos anticorpos do que qualquer remédio químico.
Mais glóbulos brancos.
Mais “interferon” é produzido (um outro “bom moço” do sistema imunológico, que bloqueia os vírus de se espalharem pelas células saudáveis).
Aumento da temperatura corporal, o que efectivamente mata micróbios. (A maioria dos vírus e bactérias efectivamente crescem melhor abaixo da temperatura corporal, é por isso que eles gostam dos nossos narizes gelados no Inverno). Papás não são os vossos filhos que estão pedindo um antipirético para baixar a febre, são os germes!
Alguns profissionais de saúde comparam o medo dos sintomas de febre com o medo que sentimos quando vemos uma luz diferente acesa no painel do carro. A luz diz que há algo errado, mas apagá-la simplesmente não resolve o problema que a fez acender. Baixar a febre é como apagar a luz do painel sem resolver o problema que a fez subir. O correcto é resolver o problema, desta forma a luz apaga-se automaticamente. Os pais deveriam questionar-se de que modo podem analisar os sintomas dos seus filhos de forma lógica e racional como eles analisam o problema com a luz do carro: será que nós realmente queremos suprimir os sinais de alerta do nosso organismo?

No caso da febre, o sinal de alerta é muito mais uma ajuda na defesa da doença do que a fonte de doença propriamente dita.

O medo da febre é uma questão social e cultural que está muito ligada ao medo das convulsões que alguns estados febris provocam nalgumas crianças (2% a 5% das crianças entre os 6 meses e os 5 anos).

Mas afinal o que é, o que provoca e quais os perigos de uma convulsão febril?

Uma convulsão é um fenómeno que gera uma descarga eléctrica no cérebro (sincronização anormal da actividade eléctrica dos neurónios). Até hoje não há explicação médica para o que provoca as convulsões febris. Sabe-se apenas que as convulsões febris estão relacionadas com factores genéticos associados a uma imaturidade cerebral característica dos primeiros anos de vida. Uma convulsão febril está mais relacionada com uma variação brusca da temperatura corporal (mais frequentemente aumento mas também diminuição) do que com uma febre alta em si. Quando acontecem, as convulsões normalmente aparecem durante a fase inicial da subida da temperatura corporal .

http://www.arsalgarve.min-saude.pt/pais/iframe/convulsoes.htm

http://casbrito.wordpress.com/2010/04/04/a-febre-nao-e-o-bicho-de-sete-cabecas/

http://www.nacersano.org/centro/9256_10071.asp

http://maternasp.wordpress.com/2008/09/19/febre-que-bicho-e-esse/

Sim, assistir a uma convulsão é uma visão assustadora mas manter a calma e acompanhar a criança é importante. Há muita informação que pode ser consultada a este respeito para os pais que assim se sintam mais tranquilos.

Voltando ao tema da Febre:

Durante um episódio de doença/ febre é aconselhado:

consumo de alimentos de fácil digestão e muitos líquidos (água, infusões ervas - a camomila é uma boa ajuda - sumos fruta natural)
descanso (respeitar a opção da criança de descansar) ou brincadeiras suaves (se a febre for alta muito provavelmente a criança quererá mesmo dormir ou descansar)


MITOS E FACTOS SOBRE A FEBRE

Conceitos descontextualizados sobre a febre são actualmente um lugar comum. Receios sobre a perigosidade da febre normal causam hoje em dia grande stress aos pais. Deixe que os seguintes factos ajudem a colocar a febre na sua perspectiva real conhecendo os seus reais perigos e valores de alarme.

MITO: O meu filho está quente por isso deve ter febre

FACTO: As crianças podem ficar quentes por muitas razões como por grandes brincadeiras que “exigam” esforço físico, chorar, sair da cama quente ou estarem ao ar livre num dia quente. O seu corpo está a libertar calor e a temperatura da pele deve voltar ao normal nos 10 a 20 minutos seguintes. Após este tempo, cerca de 80% das crianças que permanecem quentes e têm comportamento de “doentes” (queixosas, prostradas, sensíveis, diarreia, falta apetite, etc …) estarão realmente com febre. Se quiser confirmar a febre verifique que a temperatura da criança com o termómetro estará acima de :

38º para os termómetros rectais, de ouvidos ou temporais
37.8º para os termómetros orais
37.2º para os termómetros de axila
MITO: Todas as febres são más para as crianças

FACTO: A febre activa o sistema imunitário do corpo sendo um dos seus mecanismos protectores. A febre “normal “ pode apresentar valores entre os 37.8º e os 40ºC e geralmente é boa para as crianças doentes ajudando os seus corpos a combater as infecções. Utilize os seguintes parâmetros para definir o nível de febre da sua criança:

· 37.8°C a 39°C – febre baixa: benéfico. Tente manter a febre dentro destes limites.
· 39ºC a 40ºC – febre moderada: benéfica
· Acima de 40ºC – febre alta – causa desconforto mas é inofensivo
· Acima de 40.6ºC – febre alta – alto risco de infecção bacteriana
· Acima de 42ºC – febre muito alta – a própria febre é perigosa

MITO: A febre causa danos cerebrais ou as febres acima dos 40ºC são perigosas

FACTO: Só temperaturas corporais acima dos 42° C pode causar danos cerebrais. A temperatura corporal poderá atingir este valor apenas em situações extremas.

MITO: Todos podemos ter uma convulsão febril (convulsão provocada pela febre)

FACTO: Só 4% das crianças têm convulsões febris

MITO: As convulsões febris são perigosas.

FACTO: As convulses febris assustam a quem assiste ás mesmas mas normalmente param em menos de 5 minutos. Não causam danos permanentes. As crianças que têm convulsões febris não têm riscos acrescidos de atrasos no desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem ou de terem convulsões sem febre .

MITO: Todas as febres precisam de ser medicadas.

FACTO: As febres necessitam de ser medicadas se causarem desconforto, o que geralmente só acontece com febres acima dos 39° ou 39.5° C.

MITO: Se não for medicada, a febre sobe continuamente.

FACTO: O nosso cérebro tem um termóstato que, geralmente, não permite que a febre em situações virais vá acima dos 40ºC ou 41º em situações mais complexas

MITO: Após medicada, a febre desaparece (temperatura fica abaixo dos 37.5ºC).

FACTO: Geralmente a medicação baixa 1 a 1.5ºC os valores da febre.

MITO: Se a febre não baixar então é uma situação grave

FACTO: A febre que não reage a medicação pode ser causada por vírus ou bactérias o que não está directamente relacionado com a seriedade da infecção.

MITO: Se eu conseguir baixar a febre então a infecção via-se embora

FACTO: A febre dura normalmente 2 a 3 dias até o corpo conseguir mandar a infecção embora. Não é possível acelerar este processo. A causa deste desentendimento é que, geralmente, quando a febre desaparece a criança já está numa fase de recuperação. No entanto é errado assumir que fazer a febre “desaparecer” antes deste tempo (o que é impossível) vai fazer a infecção ir também embora mais cedo.

MITO: Se a febre é alta então o caso é sério.

FACT: Se a febre é alta o caso pode ou não ser sério. Se a criança tem um ar doente ou muito doente então é muito mais provável o caso ser sério.

MITO: O número exacto da temperatura é importante.

FACTO: É a aparência da criança (se está a brincar, bem-disposta, prostrada, chorona, comunicativa, sem reacção, … ) que é realmente importante e não o número exacto da temperatura.

MITO: Entre 37.1° e 37.8° C é um estado de febre baixa.

FACTO: Errado, estas são variações normais da temperatura corporal. Febre baixa varia entre os 37.8ºC e os 39ºC

CONCLUSÃO: Lembre-se que a febre está a combater a infecção. A febre está do lado dos bons.


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Author and Senior Reviewer: Barton D. Schmitt, M.D.

Content Set: Pediatric HouseCalls Online

Pediatric HouseCalls Online

Fonte: http://www.thechildrenshospital.org/wellness/at_home/fever/fever_myths.aspx

& http://pemp.library.musc.edu/tree_docs/pem/FEVER_IN_CHILDREN.doc

http://www.whale.to/a/west8.html

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