O conceito contínuo 2 ou quando uma resposta dá um post

Olá Sofia e Melissinha,

A primeira vez que li sobre muitas destas coisas foi no Blog da Sofia e desliquei o computador a dizer que "esta gente está toda maluca". Agora andam a dizer o contrário do que sempre esteve certo :) hi, hi!!! Depois comecei a tentar perceber mais do assunto e vi que o meu SEMPRE vem (no máximo) desde o iluminismo (isto ainda tenho que perceber melhor).

Sei que os bebés sabem exactamente como nos dar a volta e imagino e nós mesmos nos vamos "dar muitas voltas" ao longo do exercício da parentalidade :) Sei que quando a Melissinha diz que eles nos ensinam diariamente a testar as teorias é mesmo verdade!!!!

O que a Liedloff consegui despertar em mim foi muito mais do que estar alerta para uma data de "ideias" ou "regras" que podemos apicar em quanto pais. O que me desperta a atenção e entusiasma é a descoberta de um novo olhar sobre a nossa sociedade (eu que passo a vida a dizer que não sou a Cátia e não a socióloga :)).

Para dizer a verdade a maioria das ideias adiantadas pela autora parecem-me muito complicadas de aplicar ao meu contexto. Exemplificando, não creio que seja muito complicado carregar um bebé o dia todo mas já é complicado passar o dia a trabalhar em frente a um computador com um bebé embrulhado num pano e ao colo. Não seria nada proveitoso nem para mim nem para ele. Outro exemplo é o do parto, não deve ser nada complicado dar ao recém nascido e á mãe a possibilidade de estar em contacto pele com pele a amamentar na primeira hora de vida (como recomenda a OMS) mas já me parece muito complicado negociar isso com a equipa médica de qualquer hospital nacional :(. Ou seja, na impossibilidade de alterar o contexto, fazemos as coisas como ditam as "regras" sociais em vigor mas isso não significa que estas sejam as mais adequadas à nossa espécie.

A Liedloff fez-me tremer nas bases enquanto pessoa e enquanto profissional. Depois de ler o continuum concept andei pelas águas da psicologia e antropologia a tentar perceber se havia mais gente a afirmar, estudar e comprovar as mesmas coisas e, espanto dos espantos, há!!! Há muita gente a estudar e aplicar tudo isto e muito mais!!!

Relativamente ao parto temos os movimentos pelo parto humanizado, a própria OMS que nos pede para pararmos com muitas das práticas que hospitalares actuais, o aumento dos conhecimentos sobre o parto na água, o aumento dos partos em casa..... Há países onde estas ideias que em portugal parecem pioneiras são a regra (já escrevi algures sobre isso).

Na área da educação, já descobri a escola livre (educationrevolution.org), a escola Waldorf, o Movimento da Escola Moderna....

Os estudos e movimentos que nos provam a necessidade de voltar às origens, a necessidade de o ser humano retomar os seus instintos enquanto espécie são muitos. Agora, se cada um, individualmente, vai conseguir fazer isso no seu dia-a-dia e com os seus rebentos.... isso já é mais complicado. Penso que esta é uma mudança colectiva e inter-geracional.

A humanidade vai lá chegar mas devagarinho e o mais provável é nenhum destes movimentos (incluindo o que a Liedloff iniciou com a sua obra) estar certo.

2 comments:

  1. Queria deixar-te a indicação dos dois livros que mudaram a minha vida (se calhar já conheces)
    Ismael e a História de B, de Daniel Quinn. Para mim foram um verdadeiro divisor de águas.
    (Por acaso já não os tenho, mas procura. Vais gostar, tenho a certeza.)
    Nem vou dizer nada para não estragar a surpresa. :)

    Sobre a(s) maternidade(s), agruras e delícias, falaremos sim dia 8! (Mas já sabes que a minha visão da coisa é um bocado pé no chão :))

    PS - conheces alguma escola cá que siga o método Waldorf? Acho genial.

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  2. Outro PS - as creches da Santa Casa já usam a Escola Moderna. Um espanto, também.

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