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Vazio



Desde alguns anos a esta parte, todos os meus sonhos saíram furados, todos os planos foram por água abaixo, todos os meus desejos empurrados para baixo do tapete, todas as minhas esperanças enterradas.

Aos 36 anos, descubro-me a zeros, mais perdida do que na adolescência, sem caminho para seguir, sem objectivos, sem metas... Vazia... Bem me diziam para ter cuidado com o que peço... eu pedi esta experiência de clarificação e libertação e eis que me encontro tal e qual pedi, vazia.

Não sou, seguramente, o que fui outrora. Não, não sou essa. Não sou a que sonhava que viria a ser - "quando tiver trinta anos", " quando for mãe", "quando comprar uma casa" - não,não sou nada disso. Não sou a que lutou tantos anos para "ser" - escola, boas notas, faculdade e mais boas notas, trabalho, trabalho e mais trabalho.... - Essa também já não sou. Não sou aquela que se encantou com 1001 coisas novas e pensou poder mudar o mundo, pelo menos, o seu mundo. Essa também já cá não está.

Não sei quem sou. Não sei para onde vou. Tenho um vislumbre de onde vim mas, sem ilusões, vale o que vale um conjunto de memórias. As vezes penso "antes aos 36 do que aos 50, ou 60, ou 80, se lá chegar".

Vive-se tão bem com esta consciência do nada que somos, como se vive quando estamos cheios de nós. Ontem, quando me sentei na relva, com duas crianças ao colo, pés descalços, chupa-chupa em punho, a rir às gargalhadas com o palhaço, estava tão leve e feliz como estive leve e feliz, nos momentos felizes de quando pensava que sabia quem era.

Hoje, na cama, no escuro, a escrever esta mensagem, estou tão emocionada como nos momentos em que, cheia de sonhos e certezas, a vida me emocionava ou, eu me emocionava tanto com a vida como com a ausência dela.

No momento presente, nada mudou. É quando olho para o que poderia ter sido e para o que não sei que vai ser que me aflijo e, aqui, 36 anos sentem-se de forma diferente dos 16 ou 26.

Muito a sentir nesta esta, para mim, nova realidade.


p.s. ando em fase de turbilhão emocional, vou escrevendo o que consigo pois já me disse a experiência que, em breve, (re)conto uma história toda certinha sobre estes meses, como se tudo tivesse um propósito divino que me levou ao sítio x ou y, numa sequência perfeitinha e esqueço as estranhas sensações que agora sinto. (tb sou capaz de ter ouvido isto em algum lado e já não me recordar).

Presença, gratidão e aniversário.

Há alguns dias fui chamada ao centro de emprego. Era o dia do meu aniversário e, segundo a carta de recebi, devia lá estar às 10:30 da manhã.

Na noite anterior, preparei uma mochila com livros, impressões com alguns dos desenhos favoritos do S., para colorir, telemóvel carregado e com net, para podermos ver filmes, dois dragões, água fresca, iogurte, gressinos, maçã e uvas. Acrescentei, uma agenda baratinha que comprei para apontamento e rabiscos, uma caneta azul.

Soalheira manhã de aniversário, lá fomos nós para o nosso destino, dois autocarros, 5 minutos a pé. Cerca de uma hora depois de termos chegado, senha tirada, B.I. apresentado... deram-nos um papel com uma morada. O que tínhamos para fazer era noutro sítio, do outro lado da cidade.


Estão a ouvir aqueles sons de flop, nos filmes? ... toing, toing, toing, toiiiiing... estávamos os dois cansados, ele já tinha gritado que não queria estar ali, não gostava das pessoas... era um ambiente emocionalmente tenso, qualquer criança o sentiria, talvez nem todas gritassem...

Rapidamente analisei os percursos de autocarro e metro e decidi ira pé. Poderia  entrar em mais 2 transportes públicos e chegar ao destino nervosa e cansada mas decidi ir a pé, a empurrar o carrinho e apanhar ar fresco. Felizmente, nesse dia, estava uma brisa fresca.

O empedrado das ruas de Lisboa não facilita o "empurrar do carrinho" mas, naquele percurso, os passeios eram largos, a calcada esta lisa e limpa, não havia cocós de cão, nem carros estacionados em sítios absurdos. O S. começou a reparar nos grafitis gigantes dos prédios e paramos para os observar. Sempre que passava-mos num passeio com calçada portuguesa bicolor, ele levantava-se do carrinho e tentava "saltar só nos pretos" ou "fazer o labirinto". Nos vários semáforos, contávamos até que ficasse verde, num crescendo de alegria.

Quase a chegar ao destino, dei-me conta de que aquela era uma das últimas coisas que me ocorreria vir a fazer no meu aniversário e, ali estava eu, com uma criança, a apreciar a beleza de calçadas brancas e azuis, prédios devolutos e grafitados, semáforos, quase alheada do incómodo de empurrar o carro e do ruído e cheiro dos muitos carros que por nós passaram. Ocorreu-me que, não estando aqui, num contexto que sinto como adverso, jamais teria a oportunidade de praticar e conhecer a sensação de presença e gratidão que vem de dentro.

Telefonei ao meu marido e comecei a partilhar aquele momento, tendo ele acrescentado "podes não ir aí. podes ir embora". É verdade, nós podemos sempre escolher, não somos obrigados a nada e esta é uma verdade que tenho repetido, para mim e em voz alta, praticamente todos os dias. A possibilidade de escolha, a possibilidade que me dou, a cada momento, de escolher o que quero e não quero fazer, é das ferramentas mais empoderadoras que já conheci. Possibilita-me também perceber os reais motivos pelos quais estou a escolher determinada acção, os verdadeiros motivos pelos quais estou a viver em determinado sítio... Se desejarem perceber exactamente ao que me refiro, sugiro 3 leituras transformadoras e de nomeação simples "
momentos"; "tenho que", "escolhas"

Chegados ao destino nº 2, esperamos mais duas horas. Nesse tempo, desenhamos, fizemos a planta da sala onde estávamos, cantamos, vimos o banana man (que havíamos visto, no mesmo sítio, um ano antes e ele ainda se lembrava), lemos os 3 livros que requisitamos no dia anterior na biblioteca e, quando tudo terminou, rumamos a um dos nossos restaurantes favoritos.

Depois do almoço, fomos para a Gulbenkian onde eu frui brindada com a companhia de duas grandes amigas e um cheirinho da conferência " 
Valuing Baby and Family Passion: Towards a Science of Happiness". Ainda ouvimos, entre as roseiras o jardim, o mito de Persefone e Deméter  que ajudou o S. a perceber porque existem as estações do ano e me relembrou da importância do mergulho no mundo de Hades, da negociação e da gratidão que nos traze para mais perto de nós. o S. brincou muito com um dos seus melhores amigos.

No final do dia, estava satisfeita, preenchida e cansada. Adormeci cedo, quase nem jantei. Neste aniversário não houve bolo, nem velas, nem canções, nem festas, nem prendas externas. Houve vida, houve presença, houve gratidão, houve alegria, houve uma gigante prenda, de mim para mim, que me disse que o estado pelo qual anseio já não é só uma ansia, já não existe só lá fora, já não necessita ser procurado lá longe, no lugar onde não estou. O estado pelo qual ansiei e lutei está aqui, ainda não todos os dias, ainda não a cada momento mas, está aqui e com cada vez mais prática, estará aqui e agora em cada vez mais momentos.


Hoje, comecei a ler o blog da Ana Thomaz e, um excerto do seu último post, relembrou-me a vivência que agora partilhei convosco.

"e fico atenta para que nas praticas da nossa cultura, comer, tomar banho, trabalhar, pagar contas, arrumar a casa...deixem de ser funções simplesmente, pois aproveito para transmuta-las em ações, e não reduzi-las a obrigações que me afastaria de mim mesma"


Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

Do monte ao metro


Acabadinhos de chegar da montanha, campismo selvagem, água de nascente, fogueira, cantigas, comida partilhada, sorrisos a abraços a cada passo... para logo entrar no metro, atravessar a cidade, lidar com os odores, as imagens tristes de pessoas de olhar vazio, crianças sem alma, pedintes, sujidade, escuridão, em todos os sentidos (...imenso suspiro...).

Decidi não trazer o peso da viagem de metro (aeroporto-anjos) para casa, em vez disso, dei um longo passeio a pé, comprei o jaspe e a ágata que o miúdo pediu - "mamã, eu quero um colar com cristais vermelhos, quero o poder das pedras vermelhas", atravessei a Almirante Reis, rumei à Mouraria e subi à Graça pelas velhas escadinhas fedorentas mas, ainda assim, fascinantes.

Pelo caminho, encontrei amigos de longa data - sim, quando se começa a envelhecer, muitas coisas começam a ser "antigas - ambos em passeio com os seus filhos, o que me levou do "caos" a "casa" em segundos.

Chegada ao ninho, numa espreitadela rápida ao e-mail, li esta mensagem:

"Most of us live in a town, or near one, or in a city. Many of us live in houses—some attached, some stacked up, some with wheels. But all of us live in the present, in our families, in our bodies, and in our minds. We live, in part, in the thoughts of others. We live, sometimes, in peace and joy. We live in our imaginations, and in our dreams, and in our memories.

Stand in the place where you live... (*)

SandraDodd.com/wonder

e, senti o coração a apaziguar...



(*) http://justaddlightandstir.blogspot.pt/2013/04/where-we-live.html


Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

Gratidão ♥ *•.¸Paz¸.•♥•.¸Amor¸.•♥•.¸Sabedoria¸♥ •.¸Prazer¸.•♥•.¸Alegria¸.•♥•.¸¸ Vida

Há dias assim

Eu sei que se esquecer e perdoar o passado, confiar no futuro e não me comparar com os outros a minha vida é melhor mas... raios... que coisa tão difícil de se pedir a uma mãe, com fome, sono, cansada e a empurrar um carrinho de bebé, montanha acima, por entre carros, barulhos e pedras soltas na calçada. E não, com o sling/manduca/pano a coisa não era melhor porque as costas já não aguentam tantos kg. Pelo próprio pé também não dá ou ainda ficaríamos os dois com mais fome e sono.

Há dias assim.

Not such a perfect day

Adormeceu!!! Se conseguissem ver os meus ombros a relaxar, o rosto a descontrair, o maxilar a começar a doer pela repentina percepção de que passei o dia a fazer força, muita força inconsciente com o maxilar, seguramente iam suspirar comigo: Adormeceu!!!!! e respiravam fundo também.

Há dias assim, acorda às 7 ou 8 ou 9 da manhã e adormece 9, 10 ou 11 horas depois. Hás vezes, como hoje, dorme uns minutos e acorda fresco como uma alface, cheio de energia para continuar a brincar, correr, rir, gritar, cair, chorar, levantar-se, atirar com objectos pela varanda, puxar o rabo aos gatos, abrir os caixotes do lixo 1001 vezes, gritar e gritar e gritar muito, porque está contente, porque algo o surpreende, porque fica irritado com alguma coisa, por tudo e por nada.

Mas há dias, como hoje, em que para além de não dormir, não come. Não come absolutamente nada e mama, mama, mama todo o dia e esperneia e morde e aperta as pernas, a barriga e os braços da mãe com força e magoa, e deixa marcas na pele.

Também acontece, como aconteceu hoje, que a mãe (eu) está completamente em baixo de forma, com dores de garganta, dores no corpo, congestão nasal e muito, muito sono pelo acumular de noites mal dormidas.

Nestes dias, tudo fica por fazer, a lista de pendências (que já vem de 2010) arrasta-se sem que nem um item seja resolvido, a casa vai-se, miraculosamente, desarrumando ao ritmo das brincadeiras e dos gritos e, de repente, a mãe dá consigo a pensar coisas como: "basta, isto não está a funcionar, não aguento mais". "quem me dera que ele dormisse", "mas porque é que ele não come?"; "quem me dera viver menos isolada e ter quem desse uma mão nestes dias"; "mas porque é que decidi viver numa casa tão pequena? assim parece sempre tudo desarrumado e não há espaço"; "mas quem me mandou ter filhos tão velha? se fosse mais nova tinha mais energia"; "quem me dera ser mais alta e forte para o aguentar mais temo na manduca"; "que idiotice esta de nunca ter um parque onde o enfiar, agora estava lá dentro quieto".

Hoje, no exacto momento em que pensamentos destes me atravessavam o espírito, alguém na rádio dizia algo como:

O bom e o mau não estão associados aos comportamentos, estão associados às expectativas que temos face a nós e aos outros, face aos nossos comportamento e aos comportamentos dos outros.

Eu tinha a expectativa de ter um dia tranquilo, em que o miúdo faz 3 refeições, mama 3 a 4 vezes, dorme umas 3 horas pela tarde, durante as quais eu posso - depois de andar um bocado pela cidade, fazer as compras "da casa", possivelmente deixar o S. brincar com outros miúdos (se eles aparecerem), fazer o almoço, lavar e estender a roupa e arrumar a casa - sentar-me em frente ao computador, trabalhar um bocado nas minhas aulas (sou facilitadora de cursos on-line), fazer leituras para as aulas presenciais que vou iniciar em Fevereiro (também sou professora presencialmente durante o 2º semestre) e "brincar" na net.

Há dias que não são assim tão perfeitos. Aliás, são muito pouco os dias assim tão perfeitos.

Eu perdoo-me por ter expectativas tão elevadas e por querer que o comportamento do meu filho se ajuste para lhes dar resposta. Reconheço que mesmo sem ter uma criança para cuidar 24h por dia, dificilmente conseguiria responder ao nível de exigência que coloco a mim mesma.

Em suma, mesmo que eu tivesse um dia em que fosse capaz de fazer tudo aquilo a que me proponho e em que tudo e todos estivessem de acordo com as minhas expectativas, esse dia seria seria tudo menos tranquilo.

em Roma...




Eu sei que a ideia de ir ao centro comercial, num fim de tarde de feriado, foi minha. Logo, deveria jogar pelas regras da casa, que é o mesmo que dizer: 3 euros por cada voltinha de 10 minutos na carripana lá do sítio.

O miúdo sempre gostou de carrinhos, bicicletas, carros de bebé e outros que tais, com rodinhas que o fazem correr atrás e chorar por mais, por isso, fiquei um bocado atrapalhada por o ter metido naquela "Meca do carro eléctrico e do carrossel", sem querer pagar pela diversão.

Foi então que me lembrei do "carrinho cá de casa" e vai de "meter mãos à obra" ou à caixa de sapatos "roubada na loja" e passear pelo centro comercial, por entre as exclamações de pais, avós e lojistas: "aquele é grátis!".

- Ai pois é, e também é vermelho e descapotável como o de aluguer!"

- "Mas estes são sem fios e esse é puxado pela mãe" exclama a senhora dos carrinhos.

A semente

A primeira vez que eu vi meninos a brincar, semi-nus, sujos, sem pais a supervisionar, felizes e saltitantes na água fria, mães a amamentar em público, espaços dedicados a mulheres e bebés para troca de massagens, amor e experiências, partos naturais em plena floresta, círculos maternos... foi em 1996, no meio das mont...anhas, perto de uma aldeia chamada Massat, durante um encontro da Família Arco iris. Agora mesmo, ao escrever sobre isso, sinto-me emocionada. Obrigada irmãos e irmãs por, sem palavras, me terem mostrado que viver pode ser muitas coisas e que tudo, mas mesmo tudo, é possível. A semente ficou cá e o meu filho está a ser alimentado através dela.




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Eu não queria ter um filho e não queria ser mãe

Até acontecer o milagre de o bebé Sebastião estar dentro da minha barriga, eu não queria ter filhos e, mais importante ainda, não queria ser mãe.

Eu não queria "ter" - nem ter que lidar com - uma criança que chora; que não dorme, nem deixa dormir; que tem cólicas; que suja fraldas atrás de fraldas; que se empurra pela cidade num carrinho; que "exige" toda a nossa atenção; que não quer comer; que faz birras; que está sempre doente; que reage mal às vacinas; que desespera tudo e todos com o crescimento dos dentes; que gasta todo o orçamento familiar em parafernálias várias; que ocupa um quarto inteiro de uma casa onde todos os centímetros contam; que morde e bate nos pais; que "expulsa" os gatos de casa; que bate nos amiguinhos da creche; que não cresce, não engorda, não desenvolve; que "não se dá" com o leite em pó mais caro e raro do mercado; que só dorme na cadeirinha do carro; que parece bem no colo de toda a gente menos no meu; que é anti-social e não vai ao colo de ninguém; que está sempre toda suja; que nunca mais deixa de ser uma criatura dependente; que chora para por a fralda e uns anos mais tarde chora para a tirar....

Eu não queria ser a mulher/mãe que tem horrores do parto e prefere não pensar no assunto até à hora "P", a quem cai o cabelo e os dentes, que não tem "leite que chegue", cujo "leite é fraco", que tem dores ao amamentar; que fica em lágrimas porque não sabe o que fazer quando o bebé chora; que "bate com a cabeça nas paredes" pois não aguenta mais ficar sozinha com um bebé em casa; que sai de casa cheia de sacos e tarecos supostamente indispensáveis; que comprou um carrinho todo apetrechado e caro onde o filho se recusa a andar; que sobre ao 3º andar sem elevador com o carrinho de bebé às costas; que anda às voltas de carro com o único propósito de adormecer o bebé; que desespera com a comida que parece ir para todo o sítio menos para o estômago do pequeno; que se preocupa porque o bebé não cresce, não engorda, não desenvolve; que que enche o bebé de cremes pegajosos e fraldas de última geração e, ainda assim, ele anda sempre vermelho; que embala, abana, canta e a criança não para de chorar; que preparou um quarto todo bonito e caro onde o bebé se recusa a dormir; que não dorme, que não pensa e não vive enquanto está na presença do filho; que conta os minutos para se ver livre da criança e voltar a ter uns momentos de si mesma, uns minutos de vida adulta, sem bebés; que acredita que a sua relação está em perigo se não for uma semana (ou uns dias) de férias românticas; que conta os tostões para comprar roupas novas e brinquedos novos e ruidosos em nome do bom desenvolvimento da criança; que mete o bebé no parque,no carrinho, na cama de grades ou em qualquer outro apetrecho e desespera porque ele não quer lá ficar e não para quieto; que sofre porque o seu amado filho está sempre doente e nada consegue fazer para o evitar, que diz do filho que este é "porco", "chato", "birrento", preguiçoso", "mau"...; que passa a vida a dizer "não faças isto, não toques naquilo"; que fica com o coração partido quando dá uma palmada mas acredita que faz bem; que tem tanta necessidade de agradar a toda a gente que segue conselhos de pais, amigos, médicos e até desconhecidos e depois fica completamente exausta e confusa porque nunca sabe o que está certo; que....

Eu não queria ser essa mulher/mãe e por isso, eu não queria ter filhos.

Até que aconteceu o milagre de o Sebastião chegar à minha barriga, eu não conhecia nenhum modelo parental que não sofresse de, pelo menos uma, das situações que relatei. Por muito que olhasse em torno, não encontrava respostas mas, felizmente, outros caminhos se abriram e agora posso dizer com segurança que ser mãe é descomplicado, prazeroso e divertido.

Para cada uma das situações que descrevi há uma solução simples e intuitiva. Na maioria das vezes, essa solução é contrária aos hábitos da nossa sociedade individualista e tecnocrata, assente num modelo masculino. Na maioria das vezes, a solução exaspera ou diverte quem nos rodeia, porque lhes parece que não sabemos o que estamos a fazer, que estamos a por a criança em risco ou, simplesmente, que estamos loucos com as nossas opções bizarras. Felizmente para nós e para todas as famílias, mamãs e crianças, uma alimentação e consumos cuidados e conscientes, o amor incondiconal, o cultivo da feminilidade, a comunicação não violenta, o parto respeitado, o transporte do bebé pele-com-pele, a medicina holística e natural; as fraldas de pano; a cama partilhada com o bebé, a amamentação em livre demanda; a amamentação exclusiva até aos 6 meses; a amamentação prolongada (até quando a criança quiser), a introdução de alimentos sólidos pela mão do próprio bebé, a comunicação para a eliminação, as rodas de mães, os serviços das doulas, o apoio das especialistas em aleitamento materno, .... funcionam e tornam o dia a dia mais fácil, a família mais tranquila e saudável....

Sou mãe, sou mulher, tenho um filho e não passo por nenhuma das situações que tanta aflição me faziam. Um bem haja a nós e ao universo que nos permitirmos chegar até aqui.


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Porque faço o que faço? Ou Porque sou assim....

Se, até à gravidez, já havia uma voz que me dizia que havia mudanças a empreender no lufa-lufa do dia-a-dia para que a minha vida tivesse mais sentido, se já me questionava sobre 1001 coisas (*) quando fiquei grávida - em plena sabática meditativa que pude tirar graças ao trabalho árduo do MARAVILHOSO pai do meu filho - senti uma urgência em fazer parte da mudança, em partilhar, criar comunidade, desacelerar, simplificar, procurar o fisiológico, o biológico, o natural, de me ligar aos milhões de anos que a minha espécie tem de existência, ao que a cultura (ainda) não conseguiu destruir.

A gravidez, o nascimento do meu filho, o amamentar, acarinhar, limpar e protege-lo todos os dias, 24 horas por dia, trazem-me a plenitude da vida. De repente, tudo faz sentido na sua forma mais simples, mais intuitiva … todas as opções são naturais. Não se trata da mãe que quero ser ou do filho que quero que ele venha a ser. Trata-se de viver aqui e agora de forma consciente, sustentável e plena dando importância ao que, para mim, realmente é importante.


Um mês depois do Sebastião nascer a minha mãe soube que tinha linfoma (rádio, volta a trabalhar para a semana) e uns meses depois (já esqueci quantos) o pai da minha mãe morreu engasgado com o almoço (comida na traqueia ou algo igualmente simples mas fatal). Perante o nascimento e morte, a vida apresentou-se-me tal como é, um ciclo. Esta constatação trouxe-me a certeza de que este é o caminho que quero continuar a empreender pois se, inevitavelmente, me dirijo para a morte o importante é como e com quem faço a caminhada.


(*) o facto de termos uma sociedade baseada no consumo com a consequente obrigatoriedade de se trabalhar para auferir um rendimento que o alimente, as desigualdades sociais, a degradação do ambiente, a destruição das formas de produção tradicionais e sustentáveis (é engraçado porque em 1999 a minha tese de licenciatura foi sobre a agricultura bio. Mas só 10 anos depois passei a ser consumidora bio.) o fim dos sistemas de trocas, a incongruência das fronteiras e todas as outras formas de dividir, a (in)governabilidade dos nossos sistemas políticos, a quase impossibilidade de habitar de forma saudável as nossas cidades, a ineficácia dos sistemas escolares que reproduzem desigualdades e mentalidades em vez de estimular a criatividade e a mudança, a adulteração das dinâmicas comunitárias e familiares (individualismo, consumo, TV) ....










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O nosso anjo

Às vezes, na calada da noite, aparece cá por casa um anjo que leva o nosso menino e, no seu lugar, deixa um outro, de olhos mais claros, movimentos mais ágeis, mais curioso, mais atento e sempre sorridente.
Obrigada anjo, volta sempre!
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My Parents Were Awesome

Há uns meses que trago comigo um antigo álbum de família. Depois de ter visto aqui a referência a tantas outras famílias, decidi postar algum o seu conteúdo.



 

Pequenos factos da minha maternidade

Em jeito de justificação:

Facto nº 1: desde que a criança nasceu que perdi a capacidade de articular pensamentos complexos, mais ainda de os transformar em texto (isto passa???);

Facto nº 2: mesmo que ainda fosse capaz de grandes textos filosóficos, agora a vida baliza-se pelos ritmos de sono dele o que não me daria tempo para transpor tais pensamentos para aqui. Este deve ser um dos factos mais badalados da maternidade: não consigo fazer nada de fio a pavio e ainda me estou a habituar à ideia de que vai ser assim durante muito tempo.

Restantes factos (e argumentos):

A minha principal aprendizagem foi que viver o momento presente, estar aqui e agora é muito, mas mesmo muito, difícil. O meu filho exige de mim essa presença e entrega a 100%, com ele não posso dar só 70% e reservar os outros 30% para o mundo dos sonhos. O seu olhar exige o meu a 100%, sem partilhas, sem distracções. É tudo ou nada e isso custa muito a aprender;

Com ele percebi que sou menos egoísta do que pensava. Menos egoísta pois estou 24 horas por dia com este ser. Já lá vão 13 meses e continuo a ama-lo como no primeiro instante (ou mais do que no primeiro instante);

Também percebi que sou mais insegura do que alguma vez imaginei. Insegura porque me deixo abalar facilmente por dúvidas quanto às escolhas a fazer na e para as nossas vidas, porque deixo "conselhos" alheios abalar as minhas, poucas, quase certezas;

Ainda há dias em que acordo como se a minha vida fosse outra que não esta, como se ele não estivesse aqui;

Sinto-me demasiado cansada para estar com outras pessoas e demasiado perdida para estar sozinha com ele;

Nunca a minha memória esteve tão má como agora. Tudo é passível de ser esquecido;

O que antes poderia ser gravíssimo, agora tem importância relativa porque só ele me preocupa;

Apesar da alegria de o ver crescer sinto a tristeza de ver o "meu bebé" partir. O bebé que vejo nas fotos já cá não está. Ele muda tanto da noite para o dia que parece que me levaram o filho e trocaram por outro;

Saudades da barriga? Continuo a não achar piada nenhuma à gravidez;

Há alturas em que penso como seria bom fazer um destes sem cocós, xixis, arrotinhos e choros!!! Só sorrisos e soninhos... que bom que era!!!!!

A estranheza de me ver noutra pessoa é tão grande que às vezes se torna insuportável. Olho para ele e vejo a minha avó, a minha mãe, vejo-me a mim e o meu peito não consegue conter a emoção causada por tal constatação;

Nunca ninguém dependeu de mim de uma forma tão total e absoluta o que gera um sentimento demasiado avassalador para se conseguir expressar em palavras. Aliás, nunca ninguém dependeu de mim (ponto final parágrafo).

Conta-se pelos dedos - de uma mão - as noites mal dormidas. Estou sempre a ver quando começam as agruras nocturnas da maternidade;

Se ando com ele no sling todo o dia, ficam-me as costas num 8, se o deito sozinho ou o levo no carrinho, dói-me a consciência. Tenho tentado resolver esta questão com massagens e a ajuda de um osteopata;

Amamentar não é tão difícil como eu pensava nem tão fácil como se diz. Continuamos em amamentação livre e exclusiva e sim, é muito exigente, muito cansativo, muitas vezes dá vontade de recorrer ao biberão e ao relógio (pelo menos para ir dar um passeio sem o apêndice) mas foi uma escolha minha, continuo a acreditar que é o melhor e por isso sigo em frente apesar de, por vezes, estar esgotada;

Daqui a dois meses já não vou estar com ele 24h/dia e isso dá-me ainda mais vontade de o ter juntinho a mim o tempo todo. Não sei como vou conseguir deixa-lo em casa para ir trabalhar;

Há dias em que me apetece deixa-lo a dormir e ir de férias. Já os meus gatos gostariam de o mandar de férias;

A minha casa está mais arrumada do que seria de esperar com um bebé (dizem os outros, ou melhor, alguns) e muito mais desarrumada do que eu gostaria;

Manter esta criança viva, saudável e feliz é a maior responsabilidade que já tive e mesmo assim há alturas em que sinto que não ando a fazer nada;

Se não fosse a partilha constante com outras mães, não teria sobrevivido às minhas escolhas;

Se não fosse o pai maravilhoso do meu filho, não poderia tentar ser a mãe que quero ser.

Experiência de mãe

Numa tentativa de responder ao repto da Melissinha, para partilhar a minha "experiência de mãe", abro uma nova janela no blog e toca a "puxar pela cabeça" para escrever mas... nada.... já passou imenso tempo e não me ocorre nada.

Acabo por chegar à conclusão (muito pouco brilhante) de que o mais avassalador desta experiência é o facto de ser tão pouco experimental. Como dizia Kundera (e lamento não ter lido mais para melhor ilustrar esta ideia) , é a Insustentável leveza do ser, sem ensaio prévio, sem preparação, nem verificação de hipóteses através da experimentação.

É verdade que tive a oportunidade de "ler o script" mas agora percebo que nada nem ninguém me conseguiria advertir para esta miríade de pensamentos e sentimentos, certezas, dúvidas e anseios. Sobretudo, para este terramoto de ternura, amor e alegria!!!!!

Ao contrário do provérbio alemão -uma vez não conta, uma vez é nunca - no que há maternidade diz respeito, uma vez conta e uma vez é sempre!!!!! Tudo pode mudar na minha vida mas nunca deixarei de ser mãe e isso, pelo menos para mim, leva muito mais do que dois meses e meio a encaixar.

Amamentação livre


consegui amamentar e decidi pela amamentação livre, i.e. sempre que o bebé quer.

Às vezes não é fácil, especialmente se estivermos sempre a ouvir que está errado dar tanta mama ao bebé. Acabei por perguntar à minha doula quando ela pensava que o bebé iria fazer intervalos mais regulares entre mamadas.

Muito sabiamente a Sofia trouxe-me de volta ao essencial"

"Durante o dia, lembra-te que a mama não é só alimento... é também carinho, conforto, segurança, calor, contacto, etc. Por isso é normal que os bebés pequenos queiram passar muito tempo no peito e colo da mãe. :)"

Ou seja, amamentar é um momento de ternura que se repete e repete ao longo do dia :)

Cheguei ou 43 semanas de um milagre

Quarenta e duas semanas depois de se ter iniciado a aventura da minha gestação, nasci!

O parto que me permitiu vir ao mundo não foi nada do que os meus pais tinham pensado mas, 15 horas depois da admissão na Estefânia, aconteceu e foi avassalador para mim e para os meus pais.

Depois de ter testado a minha mãe com contracções e falso trabalho de parto desde as 35 semanas, acabei por nascer, com indução, às 42 semanas e um dia.

Ainda tenho que convencer os meus pais a estudar mais sobre a gestação e ver as recomendações da OMS sobre a gestação até às 43 semanas. Todas as informações sobre este tema são muito confusas com estudos a dizer que após as 42 semanas rácio de mortalidade perinatal duplica e outros a dizerem que não há problema nenhum em esperar até às 43 semanas se o bebé não der sinais em contrário.

Nasci com 4 kilos e 18 gramas e 52 centímetros - estavam sempre a dizer que era o maior bebé da enfermaria.

Ontem fui ao pediatra e soubemos que, numa semana, só perdi 30 gramas o que significa que a trabalheira que estamos a ter para aprender a mamar ao peito está a dar resultado.

Assim que for possível vamos explorar as delicias e incongruências do nascimento, parto e primeiros dias de vida mas, desta vez, do ponto de vista de quem as experiência. Numa semana já ouvimos as mais variadas opiniões sobre todos os temas possíveis e todas são contraditórias. Isto aplica-se também ao pessoal médico da maternidade. Enfim, cada cabeça sua sentença!!!

Aqui fica uma foto do rapagão (que será talvez a única a ser publicada neste blog).

Beijinhos a todas as pessoas que nos seguiram, até aqui, com carinho. Agora, mais do que nunca, o vosso apoio vai ser precioso.

Indução do parto antes das 42 semanas de gestação

Indução do trabalho de parto ou cesariana ANTES das 42 semanas causa mais complicações e aumentam os riscos



Seu bebê está pronto, você também está pronta para fazer a transição de gestante para mãe.
O seu medico deveria providenciar a indução do parto, uma cesariana, ou esperar que o trabalho de parto comece naturalmente? Uma gestação é considerada a termo quando está com 40 semanas. E muitos medicos induzem o trabalho de parto ou operam quando a gestação chega na 41ª semana, sete dias depois da data provável do parto (nota da Bartira: aqui no Brasil, é comum os médicos realizarem indução do parto/cesárea com 40 ou até menos semanas!!!).
No entanto, evidências científicas sugerem que a indução do parto antes de 42 semanas de gestação não é benéfica para o bebê e leva a mais complicações no trabalho de parto, segundo trabalho publicado na edição de Agosto do Obstetrics & Gynecology.
Os pesquisadores estudaram mais de 56.000 mulheres grávidas de um único bebê: um grupo pariu com 40 semanas, outro com 41, e o terceiro com 42 semanas. O parto foi induzido em 30% das mulheres; as demais entraram em trabalho de parto sozinhas, algumas depois de 42 semanas gestacionais.
Os resultados? As mulheres cujos partos foram induzidos, tiveram o trabalho de parto mais demorado e foram necessárias duas vezes mais cesáreas do que naquelas sem indução. Para completar, os bebês dos diferentes grupos tiveram o mesmo desempenho.
James M. Alexander, um dos autores do estudo e Professor Assistente em Medicina Materno-fetal do Centro Médico da Univerdiade do Texas (Dallas, EUA), admite que as opiniões variam muito quando o assunto é indução do parto. "Existem algumas dúvidas sobre o bem-estar do bebê depois das 40 semanas," diz ele. Contudo, segundo o Dr. Alexander, esperar até 14 dias depois da data provável do parto pode ser melhor: "Se depois de exames detalhados, incluindo avaliação fetal, tudo estiver bem, então o melhor é esperar que o trabalho de parto se incie naturalmente.

(Fonte: Jenn Director Knudsen, BabyCenter - http://www.babycenter.com, artigo original: Labor complications, but not neonatal outcomes, increase when labor is induced at 42 weeks' gestation compared with 41 weeks'. In: http://www.maternatura.med.br/).

E se nada desencadear o trabalho de parto, devo aceitar uma cesárea marcada? Quais são os riscos?

A cesariana é uma cirurgia de médio porte, e só deve ser feita se há risco REAL para a mãe ou o bebê. Operar a mãe com menos de 42 semanas de gestação, sem que a mesma tenha entrado em trabalho de parto e sem que ela ou o bebê estejam correndo risco de morte, acarreta, sem dúvida, MUITOS mais riscos.
Clique aqui para ler sobre os riscos da cesárea marcada.

Dicas para a indução natural do trabalho de parto

Você deve estar se perguntando o que deve fazer se "o prazo para o bebê nascer" estiver acabando e nada de sinais do trabalho de parto... É de conhecimento público, embora não tão público (ou publicado) assim que existem algumas coisas naturais que podemos fazer para induzir o início do trabalho de parto e parto.
Pesquisamos na Lista Amigas do Parto (www.amigasdoparto.com.br) sobre esse assunto e uma mensagem da Adilma Nascimento (membro da lista) resume muito bem o que podemos recomendar nessa situação:

- No final da gestação, próximo de completar 41 semanas, e nada de TP (trabalho de parto), a gente fica muito ansiosa, principalmente com uma possibilidade de cesária, mas se a busca de vocês até agora foi por um parto humanizado, este não é o momento de desistir, você esta na reta final, muita coisa ainda pode acontecer... o seu parto tão sonhado pode acontecer a qualquer momento!
Não desista da sua busca, coloque o pé na argila (pode ser argila dentro de uma bacia), a argila ajuda a equilibrar o organismo, a fortalecer os rins e é relaxante, caminhe com os pés na terra quentinha no final da tarde, 17h00min, depois tome um chá de cavalinha. Se você tiver condições de frequentar uma piscina, vá no final da tarde, quando a água esta morninha, entre dentro dela (leve acompanhante) feche os olhos, acalme a mente, e nada, ou ande dentro da piscina, se entregue a água, mentalize o seu bebê vindo ao mundo da forma que vocês sonharam...
Faça muito amor, fique de quatro, tome chá de canela sem acúcar, alongue-se, faça saudação ao sol, peça para alguém lhe aplicar um Reiki, acenda velas para os anjos (...).
O profissional que te acompanha, deveria te ajudar nesta empreitada, e só falar em cesária quando realmente as chances de um parto humanizado/normal fossem nulas...
Tente se desligar do mundo, concentre-se agora no nascimento do bb, fique de consciencia tranqüila, aceite o que a natureza lhe reservou e aguarde. (...)

Adiciono às dicas da Adilma:
1) para ajudar a liberar hormônios que ativam o trabalho de parto, você deve estimular as mamas como se fosse tirar leite, por exemplo. O estímulo das contrações uterinas está tão relacionado às mamas que uma das coisas que estimulam a saída da placenta após o parto é o fato de amamentar o bebê logo depois de seu nascimento, ainda na sala de parto, se suas condições e as dele permiterm.
2) considere a Regra dos três Hs (segundo o Dr. Marcos Dias): Hot sex, Hot food e Hot bath. Em Português: sexo quente, comida quente (quente de apimentada, temperada com condimentos, e não em alta temperatura) e banho quente (morno, melhor dizendo). Essas três coisas também ajudam a desencadear o trabalho de parto. Nota: mas tenha cuidado com a pimenta e os condimentos, porque eles também pioram quadros de hemorróida e varizes (coisas comuns em muitas gestantes).

escrito por BARTIRA CARVALHO em http://www.partohumanizado.blogger.com.br/2003_12_01_archive.html

Mais informações sobre a indução natural do parto:
- http://gravidasemforma.blogspot.com/2008/06/induo-natural-do-parto.html


Eu apóio a humanização do nascimento!

Preparar o parto e a epidural: Somos obrigadas a aceita-la antes do parto?

A data vai-se aproximando e pensei que ia ficar nervosa mas estou mesmo muito tranquila. Sinto que tenho toda a informação de que necessito para preparar o parto e a vinda do Sebastião. Para o parto em si, acabei por concluir que só necessito de algumas informações importantes:

- Confio em mim e na capacidade do meu corpo para parir;
- Confio na vontade que o meu filho tem de nascer;
- Confio nas pessoas que escolhi para me acompanharem neste momento e na sua capacidade para me ajudar;
- Dor não é sofrimento.

Toda a gente e diz que, durante o parto, esqueceu tudo o que aprendeu. Assim sendo, cheguei à conclusão que é melhor reduzir a informação ao mínimo, eliminar as técnicas simples ou complicadas e confiar.

Lembro-me de ensinar muitas vezes aos meus alunos que para trabalhar problemáticas novas devemos utilizar metodologias conhecidas e para metodologias novas, temáticas conhecidas. Ora bem, o parto é de facto uma experiência nova e por isso nada como deixar o meu corpo e a minha respiração seguirem ritmos instintivos, que lhes sejam, ainda que eu não tenha consciência disso, conhecidos.

É com estas ideias em mente que tenho passado os últimos dias. E foi com elas que fui à consulta de anestesia na Magalhães Coutinho. Perguntaram-me se conhecia a epidural, se já tinha lido sobre o assunto e se tinha dúvidas. Eu lá disse que não tinha dúvidas e a médica ficou muito espantada. Imagino que para uma médica anestesista que passou a vida a estudar sobre o assunto, chegar uma leiga e dizer que não tem dúvidas sobre a epidural seja uma verdadeira afronta mas, enquanto parturiente, eu realmente não tinha dúvidas.

Ela reformulou a pergunta e saiu-se com um antipático "Então o que é que sabe sobre a epidural?"
- Expliquei que sabia que era algo que gostaria de evitar se assim fosse possível.
Foi o descalabro total. A senhora riu de sarcasmo, disse que nem escrevia uma coisa dessas na ficha pois os colegas, se sabem que eu disse que não quero epidural "depois não lha dão nem que mude de ideias!!!!!".
Esclareci que não disse não querer a epidural, mas sim que "era algo que gostaria de evitar se fosse possível!!! "mas não adiantou, o sarcasmo continuou, a senhora estava mesmo ofendida e não parou de dizer que não me iria oferecer uma técnica que não dominava completamente e que eu nunca iria conseguir sem epidural.

As palavras de elento e encorajamento para o parto que esta senhora me dedicou foram, entre outras, "não consegue", "não vai ser capaz", "vai-se arrepender" ao que retorqui que "gostava de tentar para perceber se consigo" mas fui imediatamente calada com um "de certeza que não consegue!"´e ainda "nunca teve um filho, não sabe!".

O tom de ameaça, superioridade e sarcasmo estive presente em toda a conversa. Ameaça??? Se realmente a epidural é o melhor para mim e para o meu filo não haveria formas mais eficazes de mo demonstrar sem ser através da ameaça?

Terminamos com um "vá para casa ler sobre a epidural"! e mandou-me assinar um papel a autorizar intervenções médicas não especificadas porque, segundo ela, no dia "tem tantas dores que nem consegue assinar".

Na ficha hospitalar escreveu "Ficou de pensar se quer epidural".

Eu gostaria de poder pensar se quero epidural depois de começar a sentir as dores. Como é que posso decidir agora se quero ou não algo que não sei se vai ser necessário? Até do ponto de vista das despesas publicas faria mais sentido darem a efpidural às mulheres que realmente necessitam dela (como recomenda a OMS) e não "obrigarem" toda a gente a submeter-se ao mesmo "ritual".

Diz ainda a senhora que com a epidural posso aproveitar muito melhor o meu parto, posso aproveitar melhor o meu filho porque estarei alerta para "fazer força quando mandamos, parar de fazer força quando mandamos e o parto será mais fácil para toda a gente". Mais fácil para a equipa médica que tem uma paciente calma e talvez mais fácil para mim naquele momento porque tenho menos dores mas não estou certa de que seja mais fácil para o meu filho nem para mim no pós-parto.

É verdade que nunca tive um filho mas também é verdade que não é a Drª Anestesista que vai parir. Penso que isto nos dá, no mínimo, uma situação de empate quanto às expectativas a ter sobre o meu parto.


Daqui a uns dias até posso ser a primeira a gritar por uma epidural mas agora, depois de muito ler e me informar, gostava de poder optar.

Felizmente, como dizia no início do post, estou tranquila em relação ao parto. Se assim não fosse, teria saído da Magalhães Coutinho aterrorizada e certa de que nunca conseguiria, não seria capaz, de por o meu filho no mundo.

Prémio da Família mais numerosa de Portugal | 1964


A 11 de Dezembro de 1964, os meus avós paternos deslocaram-se a Lisboa, ao Palácio do Presidente da República (Tomás Ribeiro) e sua esposa Gertrudes, para receber o prémio da Obra das Mães pela Educação Nacional que homenageava, em nome da Dª Gertrudes, a família mais numerosa de Portugal. Contava a minha avó, na altura, com 17 filhos, 15 vivos!!!!

Comemorava-se a 27ª Semana das Mães e pretendia-se prestar homenagem às mães que "mais filhos deram à pátria".

Foram escolhidas 7 famílias de Portugal Continental e ilhas, sete mães que deram à Nação mas também à pobreza, à guerra do ultramar e à emigração mais de uma dezena de filhos cada uma.

Conta-se na família, que chegou à aldeia (Gemeses | Esposende) um embrulho de tecido para fazer roupas novas para progenitores e 15 filhos, tal como, sapatos para toda a gente. Para muitos, os seus primeiros sapatos!

Deslocaram-se a Lisboa, bem vestidos e calçados, acompanhados pelo padre da freguesia e por uma freira das Escravas da Sagrada Eucaristia, num autocarro também enviado pela Presidência da República.

As mais de 80 crianças, foram recebidas na sede da O.M.E.N. com um espectáculo de variedades e um lanche e seguiram viagem para a Sala dos Azulejos do Palácio de Belém. Consigo imaginar o silêncio respeitoso que se fazia sentir.

Esta família, de pai lavrador, foi notícia em todos os jornais nacionais que a descrevem, pelas palavras dos homenageadores, como "família exemplar","de grande valor", "um exemplo para a nação".

Na época, como agora, reconhecia-se a importância de apoiar as famílias numerosas "na sua difícil missão" e apelava a Srª Condessa de Penha Garcia (ainda gostava de saber quantos filhos ela tinha) a todas as "entidades públicas e privadas que não só lhes façam justiça, materialmente, mas também as compreendam e respeitem". Na época, como agora, as famílias numerosas passavam dificuldades imensas.

Só muito tarde soube deste prémio e nunca tive oportunidade de falar com a minha família sobre ele. Ninguém parece muito receptiva às memórias deste dia, falta-me averiguar os motivos.

Teria gostado particularmente de ter conversado com a minha avó Alice. Aliás, agora que a gravidez vai avançando a minha avó Alice é uma das mulheres que gostaria de ter presentes, a quem gostaria de ouvir contar experiências... e quanta experiência!

800 km depois



Foram 800 km em 4 dias, poucas horas de sono, muito calor, muita animação.

Se fizerem um passeio destes com barrigas de grávida e muito calor, tenham o cuidado de beber muita água (mesmo muita) para evitar eventuais problemas de obstipação (umas saquetas de Normacol também ajudam grávidas em apuros). Mais sobre gravidez e obstipação aqui

Também sugiro um bom creme para pernas pesadas/inchadas - os de castanha da Índia são bons e livres de quimicos (vende-se nas ervanárias).